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quarta-feira, junho 18

sem idade, com razão

Não conhecia nada da obra de Vitorino Magalhães Godinho. Claro que já tinha ouvido falar da sua “Expansão Quatrocentista Portuguesa” e da sua dimensão humana, mas nada mais do que isso.

Com o aparecimento da nova edição, revista e aumentada, tive oportunidade de de ler alguns artigos e entrevistas que falavam da sua carreira ,das suas lutas, e das suas convicções.

O JL na comemoração do seu 90º aniversário, entre outras homenagens, publica uma entrevista em que Magalhães Godinho diz coisas normais que toda a gente já sabe como, “ na verdade, os portugueses não estão interessados em coisas novas.Gritam, barafustam muito mas só querem que fique tudo na mesma. e coisas extraordinárias como esta resposta à pergunta:

 

Está desencantado com o rumo da democracia em Portugal?


Não só em Portugal. O mundo actual defronta-se com problemas muito graves de que as pessoas não têm consciência precisamente porque são incultas e porque não estudaram história. Os regimes políticos que no pós II Guerra Mundial, se tinham construído sobre uma base democrática retrocederam de modo que o processo de democratização não se completou. Quando se fala em Estado de Direito não se diz absolutamente nada. Lamento muito mas o nazismo era um Estado de Direito. Votar sem opções verdadeiras, sem discussão nacional, sem consciência, não é Democracia. Aliás basta ver  que foi aprovado um Tratado para a Europa sem ouvir os cidadãos e ratificado um incrível  Acordo Ortográfico contra os pareceres competentes e o sentir das populações. Como tal não estamos em Democracia em nenhum país. Nem sequer é um ideal porque todos os objectivos estão voltados para o mercado, que é o único valor. Precipitámo-nos para actividades económicas que nos encaminharam para becos sem saída. Todo o processo económico está estrangulado que o mundo é dirigido por grandes redes  em relação aos quais os governos não têm qualquer poder, como se vê agora com os preços do petróleo. Dizem-nos que não pode haver emprego que não seja precário? Quem diz isso não ganha 400 ou 500 euros nem tem empregos precários. As políticas ditas neo-liberais fracassaram, desembocando o Mundo numa crise de incalculáveis dimensões, mas certamente estrutural. A orientação do equilíbrio das contas públicas não integradas num planeamento económico que vise o bem público não evita essa derrapagem. Lembre-se  que Salazar saneou as finanças, chegando a obter superavite – e o que tivemos depois? 40 anos de atraso do país. Além do fracasso das democracias e do triunfo de uma economia da desigualdade, defrontamo-nos com outro problema crucial: o fanatismo religioso e o ataque à laicidade. Volta-se à obsessão da tradição como combate à modernidade, violando-se direitos humanos essenciais. Esse enquistamento de doutrinas e práticas que consideraríamos absoletas ateiam vagas de extrema violência tornando insuportável a vida quotidiana. Porque não voltamos à utopia?

O dono destas ideias e desta lucidez tem noventa anos e poucos portugueses o conhecem.

E Portugal precisa tanto destes jovens.

Parabéns pelo aniversário, e que faça muitos.


domingo, maio 18

sabedoria III



Tenho estado atento para perceber se Manuela Ferreira Leite tem algumas ideias do que é a política, que tipo de mulher é aquela que se esconde por atrás de uma mascara de insensibilidade, que preocupações sociais tem, o que pensa do Mundo, enfim, curiosidade minha perante quem se apresenta candidata a primeira ministra.
Juro que parti para esta analise sem ideias pré concebidas. Era bom para o PSD e para o País que houvesse um líder capaz de mostrar que o podia mudar para melhor.
Bem procurei, mas não consegui encontrar outra ideia que não fosse a de  que o "Estado tem peso a mais na economia e que se deve reduzir o déficit público".
Como se vê mais ideias novas.

sabedoria II


Santana Lopes 
a uma pergunta: mudaria alguma coisa se fosse eleito primeiro ministro
responde:
Sim, não moraria em S. Bento
E ainda dizem que este homem não tem ideias novas.

segunda-feira, abril 28

noticias do meu país

1. A entrevista que hoje é dada no Publico por António Cunha Vaz dono de uma agência de comunicação é a coisa mais miserável que li nos últimos meses.
Diz a dado passo “Só vou para a politica se for para mandar” que tal? Gostaram. Só faltava este. Vejam só a presunção. Depois de ter assessorado Filipe Menezes para a sua eleição de líder do PSD, é amigo do Rui Gomes da Silva e de Santana Lopes e de Alberto Jardim e, conta ele, que foi o autor da ideia, de no debate entre Manuel Maria Carrilho e Carmona Rodrigues, falar nas obras da casa de banho no Ministério da Cultura, que sabia ser noticia falsa.
Temos homem.
Ainda nos vai querer convencer que mede 1,60m.
O que me preocupa é que estas personagens, quando dão uma entrevista como esta, esperam reconhecimento, quando num qualquer país civilizado o que teriam era desprezo.

2. Santana Lopes vai regressar. Quando pensávamos que já nos tínhamos visto livre de semelhante personagem mas, ei-lo que volta, garboso, cheio de ideias velhas, disponível para o combate (leia-se poder). De ideias nada, para que é que isso interessa, como se nós não o conhecêssemos.
Ah, e deve vir com aquela grande figura da democracia portuguesa, Rui Gomes da Silva.

3. Jardim esteve quase a candidatar-se a Presidente do PSD, só não o fez, porque, esperto, queria que toda a gente desistisse a seu favor e contra Manuela Ferreira Leite. Como sabe que a mulher não é querida no partido, garantia assim a vitória. Mas como Santana se candidata fica sem a certeza de poder ganhar e assim prefere não concorrer. Bom era que fosse como na Madeira, mas nada é. É pena que não ganhe no Partido, para que depois de submetido a eleições gerais, os Portugueses pudessem dizer o que acham de semelhante criatura.

segunda-feira, abril 21

os suspeitos do costume




O PSD precisa urgentemente de uma grande regeneração, mas não se percebe com quem.
Os que se conhecem e que se oferecem como alternativa a Menezes já sabemos quem são, o que querem, e o que valem.
Ou sai do anonimato um homem sério (se ainda restar algum) ou as próximas eleições vão ser um passeio para Sócrates, o que é mau para a democracia. Também ele fica a pensar que a má governação compensa.

sábado, abril 12

a semana em revista


  • Jardim Gonçalves deu uma entrevista ao Público com condições. Respondia só ao que queria e por escrito.

Quando um jornal aceita fazer uma entrevista assim, pergunto que interesses prossegue, se os do leitor se outros.

Só faltou saber se Jardim pagou a entrevista, sob forma de publicidade paga.


  • Nunca mais se soube nada sobre o inquérito que o Banco de Portugal disse que ia fazer no BPN.

Porque será?

  • O BCP impugnou a decisão de Banco de Portugal porque este quer impor o segredo de justiça na audição de arguidos, a propósito da utilização de off-shores por parte do Banco para a compra de acções próprias.

Esperava ler a noticia ao contrario que era o Banco de Portugal a querer transparência e o Banco segredo.

Porque será?


  • Berlusconi é caso único no Mundo.Conspira quando não está no Governo e é sempre candidato.

Ele sabe, que se não está a fazer uma coisa ou outra, é julgado, e provavelmente irá assistir ás eleições numa cela. Onde alias, deveria estar.


  • Caiu o Carmo e a Trindade com os elogios que Jaime Gama endereçou a Alberto João Jardim.

Não sei que tomadas de posição, que ideias, que comportamentos de Jaime Gama indiciavam, que os homens não se gostavam.


  • O aumento dos preços dos alimentos especialmente nos países sub-desenvolvidos está a provocar um terrível flagelo de fome difícil de perceber.

Há varias causas que procuram explicar este fenómeno mas a verdade é que de acordo com dados da FAO a produção em 2004 de cereais por hectare era de 3,3 toneladas e em 1990 era de apenas 2,74 toneladas. 

Numa década a produção aumentou mais de meia tonelada por hectare, sendo que a população está a aumentar muito devagar. Não é assim por falta de produção de cereais que há pessoas a morrer. É pela sua distribuição.

Ainda assim e de acordo com o relatório da OCDE os países mais desenvolvidos do Mundo não estão a contribuir com o que se comprometeram para, entre outras coisas, erradicar a pobreza Mundial até 2015. Portugal reduziu em 22 milhões de euros a ajuda em 2007. De acordo com o Governo este desinvestimento deve-se à necessidade de combater o défice.

Apesar disto mantém o apoio militar numa guerra que não é nossa.

Prioridades.

sábado, abril 5

acreditem, que é verdade


Só hoje recuperei de uma crónica que li na passada quarta feira no Público da autoria de Santana Castilho.
Dizia Castilho (não sei porquê mas prefiro chamar-lhe assim) que Carlos Zorrinho escreveu, a propósito do episódio na Carolina Michaelis, no Acção Socialista de 18 de Março o seguinte: ....”
A vida é hoje cada vez mais multifuncional. Ao mesmo tempo vemos televisão,lemos,escrevemos jogamos e falamos! É isso que os jovens estudantes fazem quando estudam com a música alta, o computador ligado e o telemóvel pronto a trocar mensagens. É assim que aprendem e é nesse ambiente que vão criar valor.
E a escola? A escola é cada vez mais isso nos intervalos, nas actividades lúdicas e complementares, mas não tem ainda condições para ser isso nos períodos formais de aulas...
” Pelo que se lê é este o modelo de escola do responsável da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico. Como a minha surpresa foi maior que a do Prof.Castilho procurei na net o artigo para comprovar o que li, mas não o encontrei. Só estavam disponíveis os jornais até Dezembro de 2007. Fiquei de boca aberta mas com a esperança que o Prof. se tivesse enganado.
Continuei a ler a crónica e a propósito da Lei nº 23/2006, de 23 de Junho diz Castilho:
Segundo tal diploma legal, e cito o que na altura aqui escrevi, um grupo de jovens de seis anos de idade, seis, pode constituir-se em associação de estudantes. Se o fizer, tem direito a apoio financeiro, técnico, formativo e logístico por parte do Estado. Tem direito a tempo de antena no serviço público de rádio e de televisão. O estado deverá remeter a esse grupo de jovens todos os projectos de actos legislativos que se refiram à definição planeamento e financiamento do sistema educativo, à gestão das escolas, ao acesso ao ensino superior à acção social escolar... e continua.....Para além da audição obrigatória por parte do Estado, estes jovens de seis anos ainda tem o direito de ser consultados pelos órgãos de gestão das escolas que frequentem quanto às seguintes matérias: projecto educativo da escola; regulamentos internos; planos de actividades e orçamentos; projectos de combate ao insucesso escolar, avaliação; acção social escolar; organização de actividades de complemento curricular e do desporto escolar.
Pensei que o Prof. Castilho tinha preparado a crónica para o dia 1 de Abril, mas só tinha conseguido publica-la no dia seguinte e resolvi por descargo de consciência consultar o Diário da Republica de 23 Junho de 2006 e, acreditem que estava lá tudo isto.
E fiquei a pensar se esta Lei não foi feita pelo autor do Plano Tecnológico.
É que assim estava tudo explicado, incluindo a agressão, e eu só tenho que renovar o passaporte para emigrar...para longe, para muito longe.

domingo, março 23

a teimosia e a guerra

No artigo que Pacheco Pereira escreveu no Publico de ontem, vem reforçar a ideia que sempre defendeu, que a invasão ao Iraque se justificava, e que apesar da condenação da opinião publica Mundial sobre a guerra e os seus motivos,ele continua a achar a invasão e a guerra muito bem.
Os milhares de mortos, as torturas, a ocupação de um País por tropas estrangeiras e a humilhação de um povo, nada disso preocupa Pacheco mesmo que o fundamento da ocupação - as famosas armas de destruição maciça - nunca se tenham encontrado.

Nem os Americanos que estiveram de acordo com a invasão são hoje tão categóricos.

Mas há motivos para me admirar desta atitude ?

Não, não há. É Pacheco igual a si próprio, nunca se engana,e quanto mais é desmentido pelos factos, mais ele os nega, numa atitude de superioridade intelectual própria de quem acha que o seu umbigo é o centro do Mundo.

Detesta ter uma só ideia que seja uma ideia da maioria das pessoas. Se fosse maioritário o apoio à guerra Pacheco defenderia o contrário.

São assim diferentes estes "intelectuais". O que Pacheco Pereira tem para vender são ideias, e ele trata-as como mercadoria. Só tendo mercadoria diferente a pode vender nos jornais e nas televisões, e desdobrar-se em entrevistas, artigos de opinião e em programas. Onde se discute uma ideia lá está o Pacheco.

É mais um especialista em assuntos gerais. Se assim não fosse quem saberia quem é Pacheco Pereira?


sexta-feira, março 14

uma questão de peso


A propósito de umas intrigas em família, Manuela Ferreira Leite diz que não se faz a António Capucho o que Ribau Esteves fez. Este agradeceu a colaboração, em jeito de despedida, depois de Capucho ter feito criticas à Direcção de Menezes, ameaçando abandonar o Partido. 

Diz Ferreira Leite que "o partido não pode dar-se ao luxo de dispensar uma pessoa com o estatuto, a história,o peso na sociedade que tem António Capucho.Não pode." Se fosse um militante de base podia à vontade, mas ao Capucho não. É tudo uma questão de estatuto.

domingo, março 9

é estranho? não é.

É curioso ver as mais variadas reacções, a propósito da manifestações dos professores.

Personalidades tão próximas como Paulo Portas e Pacheco Pereira, estão de acordo com a manifestação, o que é estranho a avaliar pelo seu passado. 

Augusto Santos Silva e Miguel de Sousa Tavares são contra, o que é de admirar, também pelo seu passado.

Parece estranho mas não é, já que no geral todos eles são contra manifestações desde que eles não estejam de acordo com os objectivos dos manifestantes.

Ou melhor, se são partidários do partido que está no poder estão contra, se são dos partidos na oposição são a favor.

O que quer dizer que, são de facto todos, contra o direito a que as pessoas se manifestem.

O direito a manifestar-se é um direito reconhecido universalmente e nem é preciso de invocar a Constituição da Republica para o legitimar. Se concordamos ou não com os motivos são coisas diferentes.

Se os professores acham que aquele diploma não vai de encontro aos seus interesses, claro que se devem manifestar e a adesão em massa quer dizer que uma parte significativa dos professores contesta a política para a educação do governo. 

Mas a política da educação do País não diz respeito só aos professores, diz respeito a todos os cidadãos.

E mesmo que eu não esteja completamente de acordo com os motivos, estou absolutamente de acordo com a manifestação.

Cabe agora ao Governo tirar os respectivos ensinamentos, sendo certo que a legitimidade democrática do governo não pode ser posta em causa por cem mil manifestantes.

Nas próximas eleições serão todos os portugueses, e não só os professores, a dizer o que acharam das políticas do Governo PS.

sábado, março 1

sem palavras...


Reparem nesta pergunta que faz parte dos critérios de avaliação dos professores do agrupamento escolar Correia Mateus em Leiria.


"Verbaliza a sua insatisfação/satisfação face a mudanças ocorridas no Sistema Educativo/na Escola através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares" é um dos indicadores incluídos no critério da "dimensão ética" 


Se fosse em Cuba ninguém se escandalizaria.


Mesmo que a Ministra venha agora dizer que a pergunta será retirada, só o simples facto de alguém se lembrar de a fazer é suficientemente grave.

quinta-feira, fevereiro 21

na quadratura


No programa de ontem da Quadratura do Circulo assisti a uma conversa curiosa a propósito da passagem do edifício do casino de Lisboa para a propriedade plena da Soc. Estoril Sol, findo o contrato de concessão.

Diz Jorge Coelho que o que se está a assistir é ao descartar das responsabilidades dentro do PSD com Santana a acusar Barroso, e o contrario.
Da questão essencial nada tem a dizer, é amigo de Mário Assis Ferreira, Presidente do Casino e entende que ele não faria nada de ilegal. Nem percebe, que se o Casino comprou e edifício porque razão não teria no fim da concessão direito ao mesmo. É Coelho no seu melhor, fala como se toda a gente fosse estúpida e o que é pior é que ele não tem consciência disso. Ele está convencido do que está a dizer. Sobre a alteração da Lei e do conteúdo da carta que Mário Assis Ferreira escreveu ao Ministro nem uma palavra.
Nem percebe que a exploração de um Casino em Lisboa foi atribuído à Soc. Estoril Sol sem nenhuma espécie de concurso.
Coelho é ao longo de todos estes anos o dirigente socialista mais básico que se conhece, não diz uma coisa inovadora, todas as suas ideias são lugares comuns, discursa sobre o obvio como se estivesse a defender uma tese e no programa terminou a dizer cinicamente que sobre a relevância criminal da forma como foi feita a alteração da lei, não se pronuncia porque isso é da competência das policias e do MP.
Isto é, sobre este problema Coelho diz nada.
Já Lobo Xavier diz que é preciso saber toda a verdade sobre o caso (claro) mas põe as mãos no fogo pela honestidade do seu correligionário Telmo Correia mesmo depois de saber do teor da carta que Mário Assis Ferreira lhe dirigiu.
O que quer dizer que não se passou nada. Para um Assis Ferreira é incapaz de cometer qualquer ilegalidade, para outro Telmo Correia é um homem sério.
No essencial estão sempre de acordo.
Pacheco Pereira, que não é amigo nem de Telmo Correia nem de Assis Ferreira, ali parecia da extrema esquerda.

terça-feira, janeiro 29

mudam as moscas


A propósito desta remodelação governamental é bom que não percamos de vista, que não há políticas de ministros mas sim de governos.
Para contas futuras.

quarta-feira, janeiro 23

os trapalhões


GOVERNAM PARA A TELEVISÃO. Fazem legislação para as sondagens. Tomam medidas para mostrar trabalho feito. São peritos em encenação. Vivem obcecados com a propaganda. Anunciam a ideia, anunciam o projecto, anunciam a correcção, anunciam a revisão, anunciam o concurso, anunciam a adjudicação, anunciam a decisão prévia, anunciam a nova correcção, anunciam a primeira inauguração, anunciam a segunda inauguração... As suas decisões servem para afirmar autoridade, sem que o seu conteúdo ou a sua bondade tenham qualquer relevo. Fazem obra para criar emprego, satisfazer os amigos, colocar os correligionários e gastar dinheiro. Como disse o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, o governo tem cada vez menos capacidade técnica e científica para preparar e tomar decisões. Os ministros confiam nos amigos, no partido e nas empresas complacentes e desprezam as opiniões técnicas e independentes. Os directores-gerais e os presidentes de institutos têm de ser de confiança política, também eles trabalham para as eleições. E o Parlamento? Poderá perguntar-se. Esse vive em sabática de competência. E em jejum de qualificações. Só nos resta acreditar no aforismo: quem governa pela propaganda, pela propaganda morre.
António Barreto «Retrato da Semana» - «Público» de 20 de Janeiro de 2008

sábado, janeiro 19

não percebo...


Não consigo perceber o que faz ainda o José Manuel Fernandes como Director do Público

quinta-feira, janeiro 10

o novo aeroporto

Disse em 22 de Novembro de 2005 o Primeiro-Ministro na sessão de encerramento da Apresentação Pública do Novo Aeroporto «Lisboa 2017: Um aeroporto com futuro”
“Mas, a verdade, é que de todas essas localizações a melhor, aquela que melhor serve os interesses do País é a da Ota.”
Em 27 de Maio de 2007 disse Mário Lino Ministro das Obras Públicas 
«O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar.»
No entender de Mário Lino, o novo aeroporto devia ser na Ota porque «corresponde à estratégia de desenvolvimento que o Governo entende que deve ser seguida, onde está 40 por cento da população, onde estão as vilas, aldeias, indústrias e comércio, hotéis e turismo». Disse ainda o ministro que já tinham sido abertas propostas de três consórcios internacionais de projectos de arquitectura.
Parecia que nada impedia que se fizesse um aeroporto em que poucos percebiam as vantagens.
A polémica foi tanta, que depois de vários estudos apresentados pelos Lobis dos interesses aos
dois locais possíveis, Ota e Alcochete, o Governo manda o LNEC fazer um estudo. E o LNEC estuda e diz que Alcochete é a melhor localização, e diz também que é do ponto de vista técnico e financeiro é globalmente mais favorável do que a Ota.

Hoje Primeiro Ministro anuncia ao País que o novo aeroporto vai ser em Alcochete.

Dois aspectos essenciais a reter.

1º Estava tudo em condições para se fazer um aeroporto de 5,1 Mil Milhões de euros que se sabe agora não servia os interesses do País.

2º O mesmo Governo que ia fazer um aeroporto onde não fazia falta teve coragem (apesar de
pressionado) de emendar a mão e voltar atrás com uma decisão que já estava tomada.

Faltam agora quatro coisas.
A demissão do Ministro das Obras Públicas (nada nos garante que em futuras obras a leviandade não seja a mesma)
Que o Governo no futuro ponha à discussão Publica obras importantes para que não se
cometam erros destes.
Que sejam divulgados os custos dos seis estudos e relatórios de análise que foram realizados por consultores internacionais, a quem o Governo pediu, nestes últimos cinco meses para, olhando
para os estudos realizados, poderem confirmar as conclusões que Ota era a melhor solução.
Saber se foi negociado com a Lusoponte o valor a pagar por se ter que fazer uma nova ponte sobre o Tejo.
Ah, e a partir de hoje vamos assistir aquele Carnaval interessantíssimo que é ver os mesmos personagens que defendiam a Ota passarem a defender Alcochete com os mesmos argumentos e com a mesma convicção.
É sempre a parte mais engraçada, quando nos querem fazer passar por tolos.

um homem sem qualidades


Caiu definitivamente a mascara a Sócrates.
Prometeu referendar o Tratado Europeu e apesar de ser uma promessa que consta no programa de Governo vai propor a ratificação do Tratado por via Parlamentar, exactamente ao contrário do que fez com a lei da despenalização do aborto, em que poderia aprová-la no Parlamento e decidiu referendá-la.
Tudo evidentemente em nome do interesse europeu.
A opinião dos cidadãos nesta matéria não é para ele importante.
Não precisava de invocar as pressões que outros dirigentes europeus lhe teriam feito, porque ninguém acredita nisso.
Como se Gordon Brown, Sarkozy, ou Angela Merkel precisassem de Sócrates para alguma coisa.
Nada que não se esperasse. Já aqui o tinha escrito.
Esta atitude do primeiro ministro levanta uma questão que é esta.
Qual é a importância que ele atribuiu aos cidadãos quando se trata de decisões fundamentais para a nossa vida colectiva?
Nenhuma.
Definitivamente não presta.

terça-feira, janeiro 8

tão amigos...

Sousa Tavares escreveu na sua crónica do Expresso no passado fim de semana, entre outras coisas, o seguinte:
"Bem-vindo ao ano de 2008 e a um país onde o terror passou a ser lei e o Estado democrático e republicano foi substituído por um Estado policial onde a totalidade dos cidadãos assume a condição de vigilantes da lei e da virtude e a totalidade das forças policiais estão mobilizadas para acorrer a todo o lado e reprimir na hora os prevaricadores dos bons costumes. Havia a Arábia Saudita, o Irão e os Estados Unidos. Agora há mais um país oficialmente fundamentalista: Portugal."...
"Só alguém com sérios problemas mentais poderia ter feito esta lei. E só uma Assembleia de deputados incompetentes e sem coragem nem vontade própria a poderia ter aprovado. É uma lei à medida de um país de polícias e de eunucos.."
Estou de acordo com uma grande parte do que escreve Sousa Tavares, e desconfio da bondade de um Governo que fecha Centros de Saúde e diz-se preocupado com os fumadores passivos.
Parece que hoje foi a vez de fazer as pazes com Sócrates num almoço no Gambrinus que durou até às quatro.
Ou será que Sócrates vai modificar a lei para permitir que Sousa Tavares possa fumar onde quiser?
Depois deste almoço fico cheio de curiosidade sobre o teor das próximas crónicas de Sousa Tavares.

quinta-feira, dezembro 13

tortura...



Já não bastava que o Mundo conhecesse o que as tropas dos EUA fizeram na prisão de Abu Ghraib.
As fotos divulgadas nessa altura para a opinião pública mundial mostravam os prisioneiros a serem humilhados e a sofrerem várias formas de tortura física e psicológica.
Desde cães utilizados para aterrorizar os prisioneiros, mulheres obrigadas a despirem-se em frente aos guardas e grupos de presos obrigados a posar nus e a práticas sexuais em grupo. Há ainda fotos que registam os guardas a urinar nos presos, e a sodomizar detidos com bastões.

Os acontecimentos na prisão de Abu Ghraib foram um dos mais negros episódios da invasão norte-americana do Iraque, e como se isso não bastasse, há agora conhecimento que foram destruídas varias horas de filme que mostrava como eram torturados os prisioneiros por agentes da CIA, como denuncia um ex-agente que afirmou que durante o interrogatórios de suspeitos de pertencerem à rede terrorista Al-Qaeda foi aplicada a "técnica do afogamento", uma forma de tortura.
As declarações de Kiriakou – é este o nome do ex-agente - ocorrem no momento em que a CIA está envolvida num escândalo de destruição de vídeos de interrogatórios de supostos membros da Al-Qaeda.
Nada mudou.

a cimeira



Nesta minha ausência algumas coisas aconteceram no mundo, contudo nada de importante.
A Cimeira de Lisboa nada resolveu. A fome vai continuar a matar em África com até aqui.Os genocídios, a corrupção, a mortalidade infantil, vão continuar como até aqui. O saque das matérias primas dos países ocidentais, com o consentimento dos dirigentes africanos, vai continuar como até aqui. As empresas, especialmente as dos países que falam dos direitos humanos, vão continuar a vender armas aos países que os violam,como até aqui. E até Sócrates vai continuar a governar mal como até aqui. Nada mudou.