domingo, janeiro 6

morreu um mestre


É difícil ser tão frontal e assumir as consequências da sua liberdade critica.

Não houve outro igual nas nossas letras.

E é pena que não haja mais Pachecos na nossa literatura. Alguém conhece?

E era assim que via os outros.


O homem tem uma cara de parvo chapado. Eu estou farto de ler o gajo. Um dia, entro numa livraria e pego nisto ("Boa Noite") e vejo: "Romance". Eu desato a rir a gargalhada! Isto lê-se em dez minutos, este gajo deve ser mas é maluco!"
Luiz Pacheco, sobre Pedro Paixão, em entrevista ao Jornal de Letras de 24 de Setembro de 1997

"O Lobo Antunes e o Saramago não estão a escrever para vocês nem para mim. Estão a escrever uma coisa género "standard", que é o romance internacional. (...) Como sabem que vão ser traduzidos, têm de fazer uma linguagem o mais corrente possível, mais linear, mais badalhoca."
Idem, ibidem

"O Big Brother é um disparate, mas pior é o Emídio Rangel".
Luiz Pacheco (escritor)
Focus, citado por Tal&Qual, 12-Abr-01

Agustina [Bessa-Luís] é a figura essencial na ficção, não tem parceiro. Ao pé dela, falar do Saramago é como falar do cão... A Agustina é ímpar a retratar os meios ligados ao poder e ao dinheiro.
(...)

O Eduardo Lourenço (...) já está um bocado gagá, mas foi muito importante. A Heterodoxia é um grande livro, que mudou a minha cabeça: tão contundente, tão extraordinário, tinha umas coisas de filosofia que, naquele momento, nem sequer consegui acompanhar.
(...)

[Eduardo Prado Coelho] é um tipo muito esperto, usa a inteligência para navegar. É muito antipático para mim, não gosto dele nem da maneira como escreve, mas não escreve mal.
(...) 

Sem papas na língua.

 

terça-feira, janeiro 1

para começar bem o ano


 

Não há melhor maneira de começar bem o ano, no que à musica diz respeito, do que ouvir  "As variações Goldberg" que  resultaram de uma encomenda, feita a Johann Sebastian Bach  pelo Conde Kaiserling, um aristocrata melómano.  
O conde Kaiserling sofria de insónias, pelo que decidiu encomendar a J. S. Bach umas peças para cravo, para Johann Goldberg que era um jovem  cravista talentoso, e aluno de Bach em Leipzig.
Bach  nesta obra explora no cravo todos os seus estados de espírito e a sua complexidade só  é comparável a outras duas obras do mesmo autor, os Livros 1 e 2 do Cravo Bem Temperado.  
A melhor versão considerada unanimemente pelos críticos é a tocada por Glenn Gould.  
Esta obra requer um grande virtuosismo por parte do interprete  e nenhum outro conseguiu imprimir maior claridade ao som do piano que Glenn Gould, que rejeita o uso do pedal produzindo assim unicamente  os sons que querem os seus dedos.  
Não deixem de a ouvir.


domingo, dezembro 30

Oscar Peterson


Compositor, pianista de Jazz e um dos melhores de  sempre. 

Tinha 82 anos, morreu segunda-feira, na sua residência, em Toronto.


Ao piano desenvolveu um estilo inconfundível e tocou com os maiores músicos da sua geração entre os quais Duke Elligton Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Carmen McRae, Louis Armstrong, Lester Young, Count Basie, Charlie Parker, Quincy Jones, Stan Getz, Coleman Hawkins, Dizzy Gillespie, Roy Eldridge, Clark Terry, Freddie Hubbard.

 

Em 1997, recebeu um Grammy pelo conjunto da sua obra. 


Tive o privilégio de o ver tocar em Nova Iorque no maior espectáculo de Jazz a que assisti.


Com a sua morte  perde o Jazz um dos seus maiores autores e interpretes.

sexta-feira, dezembro 28

te quiero...


Te quiero a las diez.
Te quiero a las diez de la mañana,
y a las once, y a las doce del día.
Te quiero con toda mi alma y
con todo mi cuerpo,
a veces, en las tardes de lluvia.
Pero a las dos de la tarde,
o a las tres,
cuando me pongo a pensar en nosotros dos,
y tú piensas en la comida
o en el trabajo diario,
o en las diversiones que no tienes,
me pongo a odiarte sordamente,
con la mitad del odio que guardo para mí. Luego vuelvo a quererte,
cuando nos acostamos y siento
que estás hecha para mi,
que de algún modo me lo dicen tu rodilla
y tu vientre, que mis manos me convencen de ello,
y que no hay otro lugar en donde yo me venga,
a donde yo vaya, mejor que tu cuerpo.
Tú vienes toda entera a mi encuentro,
y los dos desaparecemos un instante,
nos metemos en la boca de Dios,
hasta que yo te digo que tengo hambre y sueño. Todos los días te quiero y te odio irremediablemente.
Y hay días también,
hay horas, en que no te conozco,
en que me eres ajena como la mujer de otro.
Me preocupan los hombres,
me preocupo yo, me distraen mis penas.
Es probable que no piense en ti durante mucho tiempo.
Ya ves.
¿Quién podría quererte menos que yo, amor mío?

Jaime Sabines

quarta-feira, dezembro 26

o fundamentalista relutante

Em cima da minha mesa, junto a tantos outros, há espera de serem lidos, estava um livro a que hoje deitei mão.
Não esperava que as 128 páginas do Fundamentalista Relutante me entusiasmassem tanto apesar de ter lido criticas bastante boas.
Escrito por Mohsin Hamid a história centra-se um jovem promissor paquistanês, licenciado em Princeton onde foi um dos melhores alunos. Trabalha numa grande empresa de Nova Iorque que faz avaliações de empresas,com bom vencimento,está apaixonado por uma jovem Americana,rica,de Upper East Side que o vai levar a fazer parte da elite de Manhattan. Nada parece impedir que o jovem Changez de 22 anos faça uma ascensão meteórica na sociedade americana.
Mas o 11 de Setembro muda a vida deste jovem dividido entre os valores americanos a as saudades da sua família, e da sua terra, que começava entretanto o conflito com a Índia.
A cor da sua pele, os seus traços orientais e a desconfiança da sociedade Americana logo após o 11 de Setembro a todos os árabes, transforma Changez, que passa de um emigrante de sucesso a anti americano convicto.
E assim perde o emprego onde era um dos melhores, perde o amor de Erica - atormentada pela lembrança do namorado morto - e regressa à sua terra.
O livro constroi-se numa conversa que é mais um monologo com um americano desconhecido numa mesa de um café em Lahore.
Encontro fatídico este.
Que fará um Americano desconhecido num café de um País em convulsão?
Porque estará armado?
É de facto uma grande e reconfortante surpresa este belo livro nesta fria tarde de Dezembro, e para mim um dos melhores livros de 2007.

domingo, dezembro 23

"Natal de 1971" ou de 2007?



Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal se ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida um
mundo que não há?
O dos que se torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?

Jorge de Sena

quarta-feira, dezembro 19

desde el umbral del sueño...



Lá dos umbrais de um sonho me chamaram...
Era aquela voz boa, voz querida.
- Diz-me: virás comigo visitar a alma?...
No coração me entrava uma carícia.
- Contigo, sempre... E avancei no sonho
por uma longa e recta galeria,
sentindo o só roçar da veste pura
e o suave palpitar da mão amiga.

António Machado

sábado, dezembro 15

niemeyer faz hoje cem anos


este extraordinário arquitecto vê-se assim:
"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta,
dura, inflexível, criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e sensual
que encontro nas montanhas do meu país.
No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein."
Niemeyer sem anos.

a corrente


Sente raiva do passado
que o mantém acorrentado.
Sente raiva da corrente
a puxá-lo para a frente
e a fazer do seu futuro
o retorno ao chão escuro
onde jaz envilecida
certa promessa de vida
de onde brotam cogumelos
venenosos, amarelos,
e encaracoladas lesmas
deglutindo-se a si mesmas.

Drummond de Andrade

sexta-feira, dezembro 14

mão amiga...


trouxe até mim uma brochura de uma colectânea de discos editada recentemente pela Sony, de Glenn Gould "Complete Original Jacket Collection - Coffret 80 CD (Edition limitée)" que tratei logo de procurar comprar.
Procurei no site da Fnac e lá encontrei a referência mas sem estar disponível.Teria que encomendar. Prazo de espera mês e meio.
Procurei na Fnac francesa e lá, estava disponível, e pronto para entrega, e (que surpresa) mais barato cerca de 75€. Procurei encomendar directamente de Paris – era mais barato e a entrega era imediata- mas não podia, se queria comprar na Fnac teria que comprar através da Fnac portuguesa que era mais caro e demorava mês e meio a chegar.
Perguntada a Fnac portuguesa a razão pela qual se encomendasse em Portugal demorava um mês e meio a chegar uma coisa que estava disponível na Fnac dos Campos Elísios, responderam-me uma coisa de que vos vou poupar, mas que tinha a ver com o facto do nosso país e a Espanha fazerem parte de uma coisa qualquer, e que de acordo com uma divisão geo-estratégica da Fnac não podiam encomendar a França, teriam que encomendar directamente à Sony nos EUA. Se eu vivesse na Bélgica na Alemanha no Luxemburgo, enfim, em qualquer país europeu que não em Portugal ou Espanha poder-se-ia encomendar os discos de Paris, mas assim não. Estratégias.
Mas como tenho uma especialista cá em casa nestas coisas de comprar pela Net, vou receber hoje, dois dias depois da encomenda uma caixa de 80 Cds do Glenn Gould com as capas das versões originais de vinil, a um preço mais barato que na Fnac Francesa muito mais barato que na Fnac Portuguesa e muito mais rápido que qualquer das duas.
Ah, vem de Londres.
Vou repensar a minha relação com a Fnac enquanto espero ansioso pelo carteiro.

byblos



é sempre uma boa noticia a abertura de uma nova livraria, ainda por cima quando se anuncia que a sua filosofia de funcionamento assenta sobre o leitor e não sobre o consumidor.
Mas é sempre uma má noticia quando se faz uma pré-inauguração com os chamados Vips. Alguns dos convidados nunca mais lá põem os pés. Se é com os leitores que a Livraria conta de futuro porque não foram eles os convidados?

quinta-feira, dezembro 13

tortura...



Já não bastava que o Mundo conhecesse o que as tropas dos EUA fizeram na prisão de Abu Ghraib.
As fotos divulgadas nessa altura para a opinião pública mundial mostravam os prisioneiros a serem humilhados e a sofrerem várias formas de tortura física e psicológica.
Desde cães utilizados para aterrorizar os prisioneiros, mulheres obrigadas a despirem-se em frente aos guardas e grupos de presos obrigados a posar nus e a práticas sexuais em grupo. Há ainda fotos que registam os guardas a urinar nos presos, e a sodomizar detidos com bastões.

Os acontecimentos na prisão de Abu Ghraib foram um dos mais negros episódios da invasão norte-americana do Iraque, e como se isso não bastasse, há agora conhecimento que foram destruídas varias horas de filme que mostrava como eram torturados os prisioneiros por agentes da CIA, como denuncia um ex-agente que afirmou que durante o interrogatórios de suspeitos de pertencerem à rede terrorista Al-Qaeda foi aplicada a "técnica do afogamento", uma forma de tortura.
As declarações de Kiriakou – é este o nome do ex-agente - ocorrem no momento em que a CIA está envolvida num escândalo de destruição de vídeos de interrogatórios de supostos membros da Al-Qaeda.
Nada mudou.

stockhausen


a noticia da morte de stockhausen foi a única coisa que percebi a propósito deste músico.
Foi a 5 de Dezembro.

a cimeira



Nesta minha ausência algumas coisas aconteceram no mundo, contudo nada de importante.
A Cimeira de Lisboa nada resolveu. A fome vai continuar a matar em África com até aqui.Os genocídios, a corrupção, a mortalidade infantil, vão continuar como até aqui. O saque das matérias primas dos países ocidentais, com o consentimento dos dirigentes africanos, vai continuar como até aqui. As empresas, especialmente as dos países que falam dos direitos humanos, vão continuar a vender armas aos países que os violam,como até aqui. E até Sócrates vai continuar a governar mal como até aqui. Nada mudou.

segunda-feira, novembro 26

"eles estão doidos"

parece que é isto que nos espera.
Será boa altura para o direito de resistência.

sexta-feira, novembro 23

poeta


Para escrever um simples verso,
é preciso conhecer muitas cidades,
homens, animais.
É preciso ter a alma aberta
para o voo dos pássaros,
e ser capaz de perceber
os gestos das flores
que se abrem ao amanhecer.

Para escrever um simples verso,
é preciso viajar
por regiões desconhecidas,
estar preparado para encontros
e desencontros inesperados.
É preciso saber voltar
a momentos de nossa infância
que até hoje não conseguimos compreender.
É preciso lembrar do que sentimos
quando ferimos alguém
que sempre nos desejou o melhor possível.

Para escrever um simples verso,
é preciso passar muitas manhãs
diante do mar, muitas tardes diante do pôr-do-sol,
muitas noites diante de quem amamos.
Tudo isso para escrever um simples verso.

Rainer Maria Rilke

sábado, novembro 17

li...



um livro extraordinário de Sebastião Salgado, com 250 fotografias recolhidas em África nos últimos 30 anos.
O livro, da Taschen, "África” foi dividido em três partes e foi a sua mulher, Lélia, que o organizou.
A primeira parte retrata o Sul (Moçambique, Malawi, Zimbábue, África do Sul e Namíbia), a segunda, a região dos Grandes Lagos (Congo, Ruanda, Burundi, Uganda, Tanzânia e Quênia) e a terceira a região subsaariana (Burkina Faso, Mali, Sudão, Somália, Chad, Mauritânia, Senegal e Etiópia). O prefácio, quem o escreveu foi Mia Couto que escreve esta coisa extraordinária antecipando as fotos terríveis que se seguem.
"A justificação mais fácil é apontar o dedo ao passado, às heranças coloniais. Explicações sobre as razões da violência abundam:motivações étnicas, históricas, tribais. Na realidade, aqui se repete aquilo que é comum ao mundo: a habilidade das elites criminosas manipularem as pessoas e se servirem da vida alheia como simples meio de guardar poder e acumular riqueza. A especificidade africana é muitas vezes invocada pelos próprios africanos para legitimar o inconcebível. Alguns dos regimes africanos já não precisam de inimigos externos para desprestigiar o continente: melhor que ninguém eles atentam contra a dignidade e o bom nome de África"
Até que enfim que se fala sobre a fome em África, sem pedir o perdão da dívida, e sem responsabilizar o Ocidente pela miséria do Continente Africano. Como se os seus corruptos líderes nada tivessem a ver com isso.
Mas o livro!! o livro é de uma violência por vezes sufocante. E um retrato horrível da bestialidade humana, a mais devastadora doença africana do nosso tempo. Há imagens que não imaginava possíveis, imagens que reflectem uma tristeza insuportável de fome, de extermínio, de doença, de guerras, de massacres, de fuga. E mesmo no sorriso das crianças e nas belas mulheres africanas, Salgado consegue fotografar a tristeza, nas suas almas.
Só não são tristes as belas paisagens africanas do deserto, das tempestades, do pôr do sol, como se Salgado nos quisesse dizer que em África só a Natureza está em paz.
Nunca tinha lido nada tão bonito e trágico de África escrito em imagens. E em língua portuguesa.

sexta-feira, novembro 16

o que será...



que contêm os 60 mil documentos que estavam no seu gabinete de Ministro da Defesa que Portas mandou digitalizar?

o aborto




"O ministro da Saúde, Correia de Campos, anunciou hoje que vai apresentar uma queixa ao Ministério Público face à recusa da Ordem dos Médicos em alterar o artigo do seu código deontológico que considera a prática de aborto como uma “falha grave”."
Se a Ordem não acaba com o artigo o Governo tem que acabar com a Ordem.

terça-feira, novembro 13

«¿Por qué no te callas?»



Na XVII Cimeira Ibero-Americana no Chile e depois de Hugo Chaves ter chamado fascista ao ausente Aznar veio o Rei e o Primeiro Ministro de Espanha em sua defesa.
Este pequeno incidente foi o suficiente, para que toda a direita puxasse dos adjectivos, e dissesse que o homem é um ditador, que quer alterar a constituição para se perpetuar no poder, que é populista, que é demagogo etc. etc.
Fosse ele amigo de Bush, e mesmo com estas características, já a direita diria que é um homem frontal, que diz o que pensa, exactamente o que diz de Alberto João Jardim, com quem Hugo Chaves se parece.
Chaves não é personagem com que simpatize, mas a demagogia de Chaves é menos mortal que as mentiras de Bush e dos seus apoiantes-entre os quais Aznar-na guerra do Iraque.

segunda-feira, novembro 12

as coisas


A bengala, as moedas, o chaveiro,
a dócil fechadura, essas tardias
notas que não lerão meus poucos dias
que restam, o baralho e o tabuleiro,
um livro e dentro dele a esmagada
violeta, monumento de uma tarde
por certo inolvidável e olvidada,
o rubro espelho ocidental em que arde
uma ilusória aurora.
Quantas coisas,
limas, umbrais, atlas, copos, cravos,
nos servem como tácitos escravos,
cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além do nosso olvido
e nunca saberão que já nos fomos.

Jorge Luís Borges

quarta-feira, novembro 7

mãos ao ar...


há algum tempo que venho a ler títulos de artigos de opinião em que se propõe uma baixa nos impostos. E pensei "aqui está uma boa proposta". E comecei a fazer contas. Se me baixarem o meu escalão de IRS que está no máximo, poupo tanto, se baixarem os impostos sobre a gasolina poupo x, se baixarem o Iva poupo Y, e por aí fora, ao mesmo tempo - com um sorriso nos olhos - que ía vendo programas de férias em destinos paradisícos.
Mas quando vi a fotografia de um tal Frasquilho,a defender a baixa dos impostos, pus a mão na carteira, e resolvi ler a proposta. E afinal, o que estes rapazes propoêm (não está sozinho) é baixar os impostos nas empresas, claro, para que assim,se crie mais riqueza, mais postos de trabalho, mais competitividade, blá blá blá.
Coisa que as nossas empresas ainda não fizeram, mas que passariam desde logo a fazer.
Ao contrário se fosse uma diminuição dos impostos sobre o rendimento, já as familias poderiam adquirir mais coisas, comer melhor,comprar mais livros,ir mais ao cinema e ao teatro, enfim, ter uma vida mais digna, e assim criar mais postos de trabalho.
E quando já me estava a ver de livro na mão e toalha estendida em areia fina, interroguei - me.
Mas porque razão estará o tal Frasquilho preocupado com o desemprego em Portugal?

segunda-feira, novembro 5

Rio das Flores



Miguel de Sousa Tavares escreveu um livro de 627 páginas- mais 100 que o Equador - que conta a história de uma família latifundiária alentejana em três gerações e tem como cenário, o Alentejo, Espanha e Brasil, e que li na maior parte do tempo com agrado.
Não deixo no entanto de encontrar algumas fragilidades no livro que tanta expectativa criou no seu lançamento.
O livro conta uma história que se lê com facilidade mas não deixa nenhuma margem ao leitor. Está lá tudo o que MST quer dizer.
As descrições são longas como se não pudesse ser de outra maneira. MST tem medo que os seus leitores não percebam o que ele quer dizer e torna assim o livro excessivamente descritivo.
Por outro lado tem urgência a que fiquemos a saber tudo o que uma personagem pensa acerca de tudo, caindo em exageros que não ficam bem no personagem que escolheu.

Reparem nesta.

Maria da Glória a matriarca da família com cerca de 50 anos, mulher de um latifundiário Alentejano que casou aos 18 anos que não estudou nem trabalhou tem esta opinião sobre Salazar. Isto nos anos 40.

“não sabia, talvez, o suficiente acerca de política para explicar porquê, mas o seu instinto não a deixava gostar do que via, do que ouvia, do que sentia. Talvez fosse o homem, mais do que o regime: ela não gostava de Salazar. Não gostava da sua voz de falsete que soava a manha a cada frase, não gostava da sua cara de merceeiro beirão, mais esperto que a freguesia, não gostava da sua pequena estatura (lembrava-se de Manuel Custódio ter dito um dia: "desconfiem sempre de homens baixinhos na política." Mas acima de tudo, não gostava de alguns traços tão louvados da sua personalidade: a de homem sem mulher, sem amantes, "casado com a Pátria", sem filhos, sem amigos, sem irmãos próximos, sem vícios, sem luxos nem fraquezas, que nunca ninguém vira comprar um livro, um quadro, um disco, fumar um charuto ou até um cigarro, ver uma tourada, ir à praia ou ao cinema, gostar de futebol ou de jazz ou mesmo de fado, que nunca viajara fora de Portugal nem sequer a Badajoz, que nunca aceitara deixar-se confrontar numa discussão política ou num artigo de jornal.”

Uma mulher sem instrução que não gosta de Salazar porque nunca “ninguém vira comprar um livro” nem gostar de jazz? Nos anos quarenta? Ninguém acredita nisto.

Não se deve partir para esta leitura com expectativas muito altas. Estamos na presença de um livro de entretenimento nada mais do que isso. De razoável entretenimento. E se as vendas atingirem os cerca de 500 mil exemplares que o Equador vendeu, isso é bom, significa que há mais gente a ler.
Gosto do MST como jornalista e cronista e gosto da sua postura ética, mas para que MST se possa tornar num bom escritor, era preciso que conseguisse escrever um romance em 150 paginas e isso ele não é capaz de fazer.
Apesar de tudo, vou esperar e comprar o próximo.

Rio das Flores
Miguel Sousa Tavares - Oficina do Livro 

sexta-feira, novembro 2

aqui está um texto elucidativo sobre educação

oxalá




não seja verdade o que se publicou
sobre Catherine Deneuve na recente
biografia não autorizada de Bernard Violet

erros fatais


há duas semanas o Banco Mundial divulgou o seu 30º relatório, em que considera que a agricultura é fundamental para combater a pobreza mundial.
Esta conclusão surge depois do mesmo Banco ter admitido que se enganou por ter estimulado os camponeses a desinvestir na agricultura.
O desenvestimento nos ultimos anos foi geral já que 75% dos pobres do mundo vivem em zonas rurais e apenas 4% do apoio oficial do Banco era dirigido à agricultura.
Pena é que não possam ressuscitar quem morreu em resultado desta política.

quinta-feira, novembro 1

vou ter um bom fim de semana...


a ouvir Rostropovich tocar as suites de J. S.Bach

um casaco


Fiz à poesia um casaco
Todo bordado e com rendas
De velhas mitologias,
Do pescoço até aos pés;
Mas os asnos mo roubaram,
Usaram-no aos olhos do mundo,
Como se o tivessem feito.
Poesia, deixa-os usá-lo,
Pois que há muito mais coragem
Em passear-se todo nu

W.B.Yeats

domingo, outubro 28

breves


- O Tribunal absolveu um polícia do crime que vinha acusado - agressão a um seu superior -  durante uma manifestação.O mesmo entendimento não teve a própria polícia que resolveu despedi-lo. Devem ter "juízes" melhores. 

- Segundo o "Sol" Santana Lopes mandou pagar à Bragaparques 3,5 milhões de euros poucos dias de deixar a Presidência da CML. Pelos vistos o pagamento é irregular.Santana mandou pagar já que a Bragaparques alegou que precisava de dinheiro para corromper outros autarcas.

- Enquanto isto, o Arquivo Histórico de Lisboa está fechado há cinco anos por insalubridade.

- A Assembleia Legislativa da Madeira tem há oito meses pedidos de levantamento de imunidade parlamentar de Deputados e membros do Governo Regional todos do PSD por suspeita de vários crimes, incluindo o de corrupção. 
Apesar da urgência do pedido, a Assembleia ainda não teve tempo para agendar este tema, não tendo sido por isso os suspeitos ouvidos.
Aos que acusam Jardim de não colaborar com os tribunais responde este, com o levantamento da imunidade parlamentar aos deputados do PS por terem proferido "declarações injuriosas" contra o soba da Madeira. 
        
Custa perceber a imunidade parlamentar numa democracia.


sábado, outubro 27

o caos...


que o Governo português causou em Lisboa com a visita de Putin é digno de um País de terceiro mundo

ando...



com vontade de escrever sobre o meu Benfica, mas como está a jogar tão mal ando a adiar.

yes, sir...









o procurador geral da república Pinto Monteiro diz que lhe parece que tem o seu telefone sob escuta.

Esta informação seria grave se Pinto Monteiro não soubesse quem o escuta.

Se não soubesse teria mandado abrir inquérito para saber, como não mandou deve saber.

Deve ser por isso que teve necessidade de vir para os jornais gritar.

Olhem que eu sei que vocês sabem que eu sei

Patético.

sexta-feira, outubro 26

a seara do comendador


O Comendador João Justino adquiriu na década de 80 uma parte da quinta do Pombeiro no Parque Natural da Serra de Sintra.

Na altura em que concorreu à presidência da Câmara Municipal de Sintra em 1989, elevou uns muros na propriedade, e aí começou a guerra com o Ministério do Ambiente e o Ippar.

Foi entretanto eleito Presidente da Câmara de Sintra pelo PSD.

Como a quinta tinha sido classificada pelo Ippar tinha que ter a sua autorização para as obras que o Comendador queria fazer. 
A Câmara aprovou as obras de construção e de ampliação (pois claro) mas o Ippar recusou.
Apesar de vários embargos, a construção continuou e a área triplicou.

Segundo o que o jornal Público de Julho de 2007 em artigo assinado por José António Cerejo, relata, foi rejeitado o último recurso judicial no Supremo Tribunal Administrativo, do ex-autarca de Sintra, João Justino, e assim o Ministério do Ambiente vai mandar demolir a maior parte da mansão construída ilegalmente".

O acórdão do Pleno do Supremo Tribunal Administrativo, de 4 de Julho negou provimento ao segundo recurso, o ultimo possível com que João Justino pretenderia anular o despacho da Secretaria de Estado do Ordenamento, que mandava em 2002 iniciar o processo de demolição da mansão.

O Ministério mandou mas Justino recorreu e o Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra mandou suspender a eficácia do despacho governamental que determinou a demolição de parte da casa ilegalmente construída.

A decisão fundamenta-se, no essencial, no facto de estar pendente na Câmara de Sintra um projecto em que é pedida a legalização das obras e ainda não decidido, (desde 2002) e na opinião do Tribunal não faz sentido demolir antes da Câmara dizer se autoriza ou não.

O Presidente da Câmara, face ao carácter vinculativo do parecer (negativo) dado pelo Parque Natural Sintra Cascais a este pedido, considerou não haver necessidade de uma decisão camarária.

Resumindo, toda a gente acha que a parte da casa ilegal deve ser demolida.
O Ippar o Parque Natural Sintra Cascais a Câmara, o Governo e os Tribunais.
Mas não é demolida porque o Presidente da Câmara acha que não deve decidir um pedido feito em 2002.

E assim o assunto vai perpetuar-se sem que o Comendador tenha que demolir os mais de 1.000m2 que construiu a mais.

Fica assim a pergunta, porque será que o Fernando Seara não se mexe?  
E a resposta foi ele que a deu quando foi convidado para a festa de Natal de 2006 de uma das Empresas do Comendador , disse:

“Fiz questão de estar presente nesta cerimónia em primeiro lugar para saudar V. Ex.ª pelo seu regresso à Galucho”...
“Este ano tem seis milhões de facturação, e daqui por dois anos terá 12 milhões de contos de facturação, porque a sua vontade e a sua fé são indiscutíveis para o desenvolvimento da Galucho. E por isso (dirigindo-se agora aos trabalhadores) queria dizer-vos a todos, vós que fazeis parte desta família da Galucho, que é bom sentir que na liderança da empresa está alguém que, pese embora a sua idade, tem este sentimento: a fábrica foi construída pela família, e em memória da família ele quer continuar a desenvolver a fábrica, quer ter mais trabalhadores, mais produção, mais facturação, mais desenvolvimento para S. João das Lampas e para o concelho de Sintra, e isso obriga-nos a que digamos
Bem-haja Sr. Comendador João Justino”.


Como se vê é tudo uma questão de fé,  vontade, e admiração.
O que o Comendador se deve rir com as nossas instituições democráticas!
E o que este País sofre com estes “comendadores e com estes autarcas”

terça-feira, outubro 23

e vou ouvir...



Boa noite

já agora...




Ostensivo sol não preciso do teu calor - afasta-te!
Tu iluminas só as superfícies, eu penetro as superfícies e as profundidades.

Terra!Terra! pareces buscar algo nas minhas mãos,
Diz, velha poupa, o que é que queres?

Homem ou mulher, podia dizer-te quanto gosto de ti, mas não posso,
Podia dizer-te o que há em mim e em ti, mas não posso,
Podia dizer-te do meu desejo, desse pulsar dos meus dias e das minhas noites.

Ouve: eu não dou conferências nem pequenas caridades,
Quando dou é por inteiro que me dou.

Tu aí, ó impotente, com os joelhos trémulos,
Abre os lábios enrugados para que te dê forças,
Estende as palmas das mãos e abre os bolsos,
Eu não serei recusado, imponho-me, tenho tanto armazenado, tanto para dar,
E ofereço tudo o que tenho.

Não pergunto quem és, para mim isso não é importante,
Não podes fazer nada, não podes ser mais do que aquilo que te dou.

Inclino-me perante quem moureja nos campos de algodão e perante quem
limpa as latrinas,
Na sua face direita deixo um beijo familiar,
E do fundo da minha alma juro que jamais o renegarei.

Nas mulheres que concebem concebo crianças mais robustas e aptas,
(Neste dia lanço a semente de repúblicas muito mais arrogantes).

Àquele que morre acudo à sua porta e rodo a maçaneta,
Atiro os cobertores para os pés da cama,
Despeço o médico e o padre.

Agarro o homem que desfalece e levanto-o com irresistível vontade,
ó desesperado, aqui tens a minha nuca,
Por Deus, não te vás abaixo! apoia-te a mim com todo o peso.

Dilato-te com um sopro tremendo, dou-te alento,
Encho todos os quartos da casa com um exército armado,
Meus amantes, vós que do túmulo me enganam.

Dorme ... eu e eles velaremos toda a noite,
Nem dúvida nem morte ousarão tocar-te com um dedo,
Abracei-te e a partir de agora pertences-me,
E quando pela manhã te levantares verás que é verdade o que te digo.

Walt Whitman
(canto de mim mesmo)
tradução de José Agostinho Baptista

a cor da inteligência


O Prémio Nobel da Medicina em 1962 James Watson, veio há dias, na sua qualidade de cientista, dizer que os negros são menos inteligentes que os brancos.
Esta informação sem nenhuma validade cientifica - como o próprio depois confessou- desencadeou um coro de protestos de cientistas de todo o Mundo, e a suspensão das funções que desempenhava no laboratório de Cold Spring Harbor, um dos mais prestigiados laboratórios de genética do mundo.
O que levou o pobre James a pedir desculpa das afirmações feitas.
Tarde demais, já que esta semana o Museu de Ciência de Londres, que tinha agendada uma palestra com o cientista no âmbito do lançamento do seu novo livro, cancelou o evento devido às declarações, de índole racista. E o Festival de Ideias de Bristol, também no Reino Unido, cancelou o convite de participação que lhe tinha feito.
Depois dos protestos pelas declarações racistas, vêm agora os protestos daqueles que acham que não se podem cancelar convites por se ter ideias racistas.
Como se as organizações democráticas fossem obrigadas a convidar xenófobos e racistas, para dar conferências.
Ou como se o conhecimento das posições racistas de Watson não fosse motivo suficiente para cancelarem o convite.
Depois do que James Watson disse, só lhe faltarão convites se as organizações de extrema direita que defendem as suas ideias não o convidarem.

segunda-feira, outubro 22

para acabar com o jardim


noticía a imprensa que Jardim Gonçalves pagou as dívidas que as empresas do seu filho tinham com o Bcp, e que este, já lhe tinha perdoado.
Esta noticía levanta desde logo três questões.
A primeira, é que se o País não se levantasse contra este escândalo, Jardim não teria pago.
A segunda, é que com o pagamento não alterou nada, do que foi aqui escrito sobre o seu caracter.
A terceira, é que o Banco de Portugal não faz o seu papel.
Falta a demissão.
Não falo mais do Jardim.

sexta-feira, outubro 19

isto sim...


é um grande tratado

há bons e maus tratados


e o assinado hoje em Lisboa é um mau tratado.
Sem discutir a questão do conteúdo, a questão essencial para mim, é que este tratado não tem a legitimidade que um referendo lhe traria.
Se não o queriam fazer não o tinham prometido. E ao contrário do que para aí se diz, um tratado constitucional é exactamente o tipo de questão que deveria ser objecto de referendo, já que o que está em causa é a cedência da soberania e a capacidade de decisão à União Europeia.
O que eu gostaria é que o tratado fosse discutido e em resultado dessa discussão melhorado e em referendo aprovado.
Seria pedir muito?
Não seria assim que se envolveriam os Portugueses na construção europeia? Com eles.

quarta-feira, outubro 17

as palavras


Girar em torno delas,
virá-las pela cauda (guinchem, putas),
chicoteá-las,
dar-lhes açúcar na boca, às renitentes,
inflá-las, globos, furá-las,
chupar-lhes sangue e medula,
secá-las,
capá-las,
cobri-las, galo, galante,
torcer-lhes o gasnete, cozinheiro,
depená-las, touro,
bois, arrastá-las,
fazer, poeta,
fazer com que engulam todas as suas palavras.

Octavio Paz

outra vez jardim


Jardim Gonçalves continua a dizer que não vê nada de estranho, no financiamento que o Bcp fez ao seu filho.
Os Jardins são feitos desta massa nunca se enganam e raramente têm dúvidas.
O interessante seria que algum jornalista fosse à procura das contas das empresas que pediram o crédito, e com facilidade se veria que não há Banco nenhum que financie aquelas empresas.
A não ser que o pai seja o Presidente.
Tanto mais que aqueles montantes, de acordo com os Poderes de Crédito do Bcp, precisam de ser decididos pelo Conselho de Administração.
Este caso, como já se sabe não é único, e valia a pena que o Banco de Portugal fizesse o seu trabalho.
Para ajudar proponho que comecem por estas empresas que fazem parte do curriculum de Jardim Gonçalves.

Presidente do Conselho de Administração das principais subsidiárias do Grupo:
BCP Investimento - Banco Comercial Português de Investimento, S.A.
Banco de Investimento Imobiliário, S.A..
CrédiBanco - Banco de Crédito Pessoal, S.A.
Interbanco, S.A.
Banco Expresso Atlântico, S.A.
Banco Comercial de Macau, S.A.R.L.
Banco ActivoBank (Portugal), S.A.
Leasefactor S.G.P.S.
ServiBanca - Empresa de Prestação de Serviços, A.C.E.
Seguros e Pensões Gere, S.G.P.S., S.A.
BCP Holdings (USA), Inc.

Vice-Presidente de:
Conselho de Administração do NovaBank, S.A.
Supervisory Board da Eureko B.V.
Supervisory Board da Achmea Holding, NV.

Membro do Conselho de Administração das seguintes empresas:
Banca Intesa S.p.A.
Banco de Sabadell, S.A.
Association Achmea, N.V.

Membro do Supervisory Board do Bank Millennium, S.A.
Presidente do Conselho de Administração da Fundação Banco Comercial Português
Vice-Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Bancos (em representação do BCP)

uff...... como querem que o homem saiba dos empréstimo que o filho pede.

terça-feira, outubro 16

segunda-feira, outubro 15

o tratado europeu



O Governo prepara-se para, ao contrário do que nos tinha sido prometido, aprovar a constituição europeia e ratificá-la sem nos perguntar se estamos de acordo. Trocou-se o nome de Constituição para Tratado depois de em 2005 franceses e holandeses a terem rejeitado
Os novos Tratados da Europa comunitária têm de ser aprovados por unanimidade pelos Governos dos Estados membros e depois ratificados por todos Parlamentos nacionais, com ou sem consultas populares .
O PS já nem discute a aprovação por referendo, vai ser o governo a aprovar, e só depois da aprovação se verá se a ratificação será ou não sujeita a referendo.
Mas pelo que estamos a ver não nos vai ser perguntado nada.
Estranha ideia de democracia esta, em que só somos cidadãos para pagar impostos e votar nas eleições.
Em matérias importantes como esta, entende o Governo que os cidadãos não têm nada a dizer.
Na despenalização do aborto achou Socrates que devia perguntar. Nesta matéria sem importância acha que não vale a pena.
Não vá a resposta ser em Francês ou em Holandês.

domingo, outubro 14

as mademoiselles de avignon


As mademoiselles de avignon
foram surpreendidas numa rusga da polícia,
nas imediações do museu

jorge de sousa braga

sábado, outubro 13

é obra...


Foi inaugurada a nova Igreja da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima. A inauguração da igreja insere-se nas comemorações dos 90 anos das aparições de Fátima e representa a abertura da maior igreja em Portugal e a quarta maior no mundo.
A basílica custou 80 milhões de euros, o dobro do previsto pelo Santuário.
Num País com tantas dificuldades é obra.
Para os festejos o Estado contribui com as suas mais altas figuras e empresta a televisão para que toda a gente veja.
Quanto ao desvio orçamental deve ter sido por terem andado distraídos com a discussão contra a revisão do regime da assistência religiosa nos hospitais.
Pelo que se sabe valeu a pena.

só de pensar...


que vou ter que ver outra vez Santana Lopes com aquele seu ar blasé a dizer os maiores disparates como se de coisa séria se tratasse.
E ouvir aqueles seus apoiantes como o inenarrável Gomes da Silva que sempre o acompanha.
Agonio.

o bcp...

perdoou ao filho de Jardim Gonçalves 12 milhões € de dívidas por este contraídas junto do banco que o seu pai fundou.
Quem perdoou este valor astronómico foi Filipe Pinhal, na altura Vice-Presidente e Alípio Dias do Conselho de Administração.
O pai diz que não sabe e o filho diz que nunca foi beneficiado.
Quem intermediou a negociata foi o advogado Alves Mendes que tem escritório com outro dos filho de Jardim Gonçalves.
Lê-se e não se acredita.
A família Jardim anda há décadas a tentar passar uma ideia de gente honrada e séria, mas basta uma notícia destas para ficarmos a saber de que matéria são feitos.
O que dirão os accionistas do maior banco privado português.
Será caso único?

mais inquéritos...


O início de Setembro foi colocado no You Tube um filme em que mostrava imagens de alegadas agressões policiais de cinco homens fardados de PSP a um indivíduo no Parque das Nações.
Só agora, quarenta e cinco dias depois o MAI do ministro Rui Pereira mandou abrir inquérito.
Vão ver que é para arquivar.
Porque a policia não pratica abusos, aplica a lei.

o estado do país


O ministro Rui Pereira mandou arquivar o inquérito à ida da polícia às instalações do sindicato de professores.
Esta é a decisão que se esperava.
Quando instado logo após este abuso de poder foi adiantando que não se podia pronunciar já que nada sabia, mas que tinha pedido a abertura de um inquérito e nada mais tinha a dizer sem a sua conclusão.
Não gosto destes políticos calculistas.
Com estas declarações estavam salvaguardadas as aparências.
Depois na sombra do gabinete chega à conclusão que nada de estranho se passou quando dois policias vão a um sindicato ver o que estão a fazer para a manifestação de desagrado ao primeiro-ministro.
Não sei o que mais detesto.
Se um primeiro ministro incapaz de aceitar criticas e manifestações de desagrado à sua politica ou de ministros funcionários públicos incapazes de tomar decisões que contrariem o patrão.
Estejam atentos a este ministro.
A abertura de inquéritos para saber o que se passou e o posterior arquivamento vai ser a sua imagem de marca.
São assim os empregados que dependem do patrão.

sexta-feira, outubro 12

quinta-feira, outubro 11

as mulheres escrevem bem....



A escritora britânica Doris Lessing ganhou o Prémio Nobel da Literatura. Como não conheço a obra fui à Bulhosa das Amoreiras para comprar os livros que me permitissem conhecê-la.
Eu não conheço a obra mas conheço a escritora, mas empregada que me atendeu não conhecia nem uma nem outra.
Comprei a medo um pequeno livro ( o único disponível ) da Cotovia com o titulo "Gatos e mais gatos" que vou ler.
Digo que comprei a medo porque sempre que há um laureado que não conheço, tenho ido a correr à livraria mais próxima e compro todos os livros do premiado na esperança de ter comprado varias horas de boa leitura.
Raramente passo do segundo e os que sobram intactos aguardam a passagem do alfarrabista cá por casa.
Com uma carreira tão longa eu já deveria conhecer alguma coisa... se não conheço...
Oxalá esteja enganado.

já não há paciência...

para aturar as catalinas deste país. O que fará que estas criaturas estejam sempre dispostas a falar para os mesmos jornais e para os leitores desses jornais, que querem ouvir aquilo que agora diz e o seu contrário.
Que saberá esta mulher que durante tanto tempo na Casa Pia só agora resolveu defender os "seus meninos"
Que interesses a movem para que insista em acusar quem o Tribunal inocenta.
Que interesses têm os jornais em continuar a dar espaço a pessoas como esta?
Que interesses são estes?
Já não há paciência para estes jornais e para personagens destas.

terça-feira, outubro 9

acabei de reler...

Uma obra prima.
A Sonata de Kreutzer na edição da Relógio D`água.
E começa assim
“Aconteceu no início da Primavera. Íamos já no segundo dia de viagem. Entravam e saíam da carruagem passageiros de curta distância, mas havia três que viajavam como eu, desde a estação de partida: uma senhora nada jovem, sem graça, fumadora, cara de cansaço, de chapéuzinho e casaco meio masculino; o acompanhante, um homem loquaz, dos seus quarenta anos, vestindo roupa nova e cuidada; e ainda um senhor de pequena estatura que se mantinha afastado, de gestos impulsivos, nada velho ainda mas com os caracóis do cabelo já grisalhos, sem dúvida prematuramente, e uns olhos muitíssimo brilhantes que corriam velozes de um objecto para outro. Vestia um sobretudo velho mas de boa confecção, com gola de pele de carneiro; na cabeça tinha um gorro alto da mesma pele.”





É aqui que a acção se desenrola, onde, por mero acaso, vários passageiros conversam sobre as motivações do casamento, e sobre o papel do amor nas relações entre homem e mulher, Surgem algumas discussões bastante empolgantes, com posturas radicais e opostas de alguns personagens.

Tolstoi vai buscar o titulo à Sonata para violino e piano nº 9, em lá maior, op. 47 de Beethoven. Música (sobre a qual Tolstoi fala sobre os efeitos que tem sobre o nosso espírito), e que despoleta em Podzdnischeff (um dos personagens do livro) um conjunto de sentimentos que vão desencadear o triste desenlace final.

A não perder sob pretexto nenhum, o livro e a música.

sábado, outubro 6

um dia especial

O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes;

o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito de água;
a boca sossegada onde apetece

navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor dum fruto, o peso duma flor;
as palavras mordendo a solidão.
atravessadas de alegria e de terror;

são a grande razão, a única razão.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, outubro 1

vou ouvir

no dia mundial da música vou ouvir