sábado, março 1

soneto 101


Ó musa indolente, qual a tua desculpa 

P'ra esqueceres a verdade, tinta de beleza? 

Do meu amor dependo a, beleza e a verdade, 

Assim também tu, e nelas te dignificas. 

Responde, musa, tu não dirás porventura, 

Que à verdade não queiram dar cor, tem cor próprias ?

E à beleza não há pincel que dê cor pura ? 

o melhor não será, melhor sem ter misturas? 

Por não carecer de louvor, tu emudeces? 

Não desculpeis o silêncio, pois está em ti 

Fazer que sobreviva ao túmulo doirado 

E receba louvores nos anos vindouros. 

Faz o teu oficio, musa, que hei-de ensinar-te .

A mostrá-lo à distância como ele é agora. 


Shakespeare


quinta-feira, fevereiro 28

surpreendente...

Gregory David Roberts, toxicodependente, foi condenado a dezanove anos de prisão por roubo.
Em Julho de 1980, foge da prisão e nos próximos dez anos é o homem mais procurado da Austrália.
O livro, autobiográfico, começa com a sua chegada a Bombaim onde trabalha como traficante de armas, de droga, é falsificador, contrabandista, e membro de uma das Mafias locais.
Foi torturado espancado e sofreu os horrores das prisões Indianas.
A descrição do caos de Bombaim é absolutamente maravilhosa, só falta o cheiro para que possamos dizer que já a conhecemos.
Metade da população vive e dorme na rua. E mesmo a dormir na rua, é preciso fazer turnos para que possam dormir deitados.
Com as cheias, os ratos são tantos, que a correr pelas ruas, devoram as pessoas se estas se mexem.
As personagens são ricas, como Prabaker o seu guia e amigo que tem morte trágica, o chefe da Mafia e filosofo Abdel Khader Knan, e Karla a mulher por quem se apaixona.
Em Bombaim há zonas de leprosos, que traficam os medicamentos que lhes dão para se tratarem. Há os Babas...

“Os Babas de pé eram homens que haviam feito votos de nunca mais na vida se sentarem ou deitarem. Comiam as refeições de pé, faziam a higiene de pé, rezavam, trabalhavam e cantavam de pé....
Durante os primeiros cinco a dez anos daquele estar de pé constante, as pernas começavam a inchar. O sangue movia-se lentamente nas veias exaustas e os músculos engrossavam. As pernas ficavam enormes, inchadas para além do reconhecível e cobertas de furúnculos varicosos roxos. Os dedos transformavam-se em excrescências dos pés carnudos, como os dedos das patas dos elefantes....
A dor era interminável e terrível. Ferrões e lanças de agonia perfuravam-lhes os pés a cada contacto com o chão.”

E há uma diversidade de quadros de vida em Bombaim cidade ao mesmo tempo terrível e fascinante, em cujas ruas apinhadas, caóticas e sujas se escondem aspectos essenciais da vida.
O seu código de honra e amizades levou-o às montanhas do Afeganistão, onde combateu ao lado de mujahedines contra as tropas soviéticas, onde foi ferido e quase morreu.
Sobre este livro escreveu-se:

"Uma obra-prima de intimidade, reflexão e entretenimento,
com toda a força e ritmo de um bom thriller."
Daily Telegraph
"Uma saga admirável e gigantesca."
London Daily Mail
"Um herói brutal, apaixonado e romântico."
London Telegraph

Tenho algumas reservas quando me chegam livros muito grandes, como é o caso, perto de 900 paginas.
Porque me esqueço dos personagens, dos seus nomes, e da importância que têm na narrativa.
Lembro-me que quando li os Cem Anos de Solidão, anotava num bloco os nomes para assim poder saber que Úrsula era a mulher de José Arcádio e que a bela Remédios Buendía era a sua filha.

Com este livro apesar do volume, tive pena de chegar ao fim

Livro muito bom que recomendo sem reservas.

Shantaram

Gregory D. Roberts
Quidnovi 22,46€

quinta-feira, fevereiro 21

ainda morro...


do coração.
O Benfica precisava de marcar para passar a eliminatória com tranquilidade mas Camacho resolve jogar com defesas no meio campo.
A dois minutos do fim o Benfica tem a eliminatória perdida e Camacho fez o que sempre faz. Tira dois jogadores que nunca deviam de ter entrado e põe os que deviam estar de inicio.
O resultado é que os que entraram marcam os golos da nossa alegria e disfarçam a péssima exibição (mais uma) da equipa.
Se o Benfica não se vê livre do Camacho vamos ver mais Benfica assim.
Ah o adversário de hoje é o antepenúltimo classificado do Campeonato Alemão.
Nuremberga 2 Benfica 2

na quadratura


No programa de ontem da Quadratura do Circulo assisti a uma conversa curiosa a propósito da passagem do edifício do casino de Lisboa para a propriedade plena da Soc. Estoril Sol, findo o contrato de concessão.

Diz Jorge Coelho que o que se está a assistir é ao descartar das responsabilidades dentro do PSD com Santana a acusar Barroso, e o contrario.
Da questão essencial nada tem a dizer, é amigo de Mário Assis Ferreira, Presidente do Casino e entende que ele não faria nada de ilegal. Nem percebe, que se o Casino comprou e edifício porque razão não teria no fim da concessão direito ao mesmo. É Coelho no seu melhor, fala como se toda a gente fosse estúpida e o que é pior é que ele não tem consciência disso. Ele está convencido do que está a dizer. Sobre a alteração da Lei e do conteúdo da carta que Mário Assis Ferreira escreveu ao Ministro nem uma palavra.
Nem percebe que a exploração de um Casino em Lisboa foi atribuído à Soc. Estoril Sol sem nenhuma espécie de concurso.
Coelho é ao longo de todos estes anos o dirigente socialista mais básico que se conhece, não diz uma coisa inovadora, todas as suas ideias são lugares comuns, discursa sobre o obvio como se estivesse a defender uma tese e no programa terminou a dizer cinicamente que sobre a relevância criminal da forma como foi feita a alteração da lei, não se pronuncia porque isso é da competência das policias e do MP.
Isto é, sobre este problema Coelho diz nada.
Já Lobo Xavier diz que é preciso saber toda a verdade sobre o caso (claro) mas põe as mãos no fogo pela honestidade do seu correligionário Telmo Correia mesmo depois de saber do teor da carta que Mário Assis Ferreira lhe dirigiu.
O que quer dizer que não se passou nada. Para um Assis Ferreira é incapaz de cometer qualquer ilegalidade, para outro Telmo Correia é um homem sério.
No essencial estão sempre de acordo.
Pacheco Pereira, que não é amigo nem de Telmo Correia nem de Assis Ferreira, ali parecia da extrema esquerda.

cão


Cão passageiro, cão estrito
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão ali, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal de poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção,
cão pré fabricado,
cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!
Alexandre O'Neill,

quarta-feira, fevereiro 20

já vi coisa parecida

O Banco Português de Negócios (BPN) confirmou que José Oliveira e Costa vai abandonar todos os cargos que detém no banco, alegando motivos de saúde, tendo sido a sua decisão aceite pelo Conselho Superior da instituição. O Conselho Superior deliberou também "manter a total confiança nos restantes membros dos órgãos sociais que garantem o funcionamento executivo das empresas do Grupo”
Lembrando os factos.
O Banco de Portugal investiga eventuais irregularidades no BPN.
Oliveira e Costa vem para os jornais e para as televisões, de excelente saúde, dizer que não há irregularidades e que está a disposição do B.P.
Um mês depois renuncia por agravamento do seu “estado de saúde.”
Do inquérito do BP nada se sabe, e quer-me parecer que jamais se saberá.
Só falta saber o valor da reforma.

sexta-feira, fevereiro 15

esquecer o passado preparar o futuro

José Miguel Júdice em crónica hoje publicada no Público começa assim:

Quero começar por fazer um aviso aos comentadores encartados, e em regra insultuosos, que surgem nos jornais on-line e nos vários fora radiofónicos diários. Este artigo é politicamente incorrecto e pode por eles até ser usado para demonstrar que aquilo que vou estigmatizar tem no meu texto a prova cabal de que devem continuar a agir como até aqui.”
Começa como se vê, à defesa, e continua.
“Este artigo, apesar de politicamente incorrecto, procura ser pedagógico.”
Que artigo é então este que Júdice diz ser politicamente incorrecto:
É um artigo em que o cronista apela a todos os políticos que se abstenham de exigir transparência mesmo que tenham dúvidas da legalidade dos actos.
E fala dos processos urbanísticos de cuja legalidade os vereadores da Camara de Lisboa desconfiam e que pediram que fosse investigada a sua legalidade, tais como: o Corte Inglês o Convento dos Inglesinhos o Saldanha Residence entre outros.
Esperava-se que Júdice incentivasse os vereadores a recorrerem a Tribunal para que depois de investigados pudessem todos os vereadores sair à rua de cabeça erguida, e os cidadãos descansados.
Mas não, convida ao silencio.
Se as decisões de titulares de cargos públicos violaram a Lei, e se com isso enriqueceram. Se com as suas decisões a Câmara foi espoliada, e os cidadãos prejudicados, nada disso tem importância. Esqueçam, não peçam para que sejam investigados, convidem-nos para Jantar.
O titulo da crónica é sugestivo. Políticos ou garotos. Sendo políticos quem esquece e garotos quem denuncia.
Júdice é assim adepto que se as pessoas têm dúvidas, não devem pedir que se investigue devem nas suas palavras:
"Daqui faço um apelo:tenham juízo, tenham maturidade,tenham cautela,tenham modos, tenham lucidez. Deixem de brincar ao boxe no meio de chuva. Não chavasquem nos lamaçais que criam."
Gosto especialmente do "tenham cautela"
E preocupado diz: Lisboa vai ficar paralisada enquanto se tenta descobrir irregularidades por todo o lado.
Júdice que é mais conhecido pelos amigos que tem, do que pelos seus méritos profissionais está assim preocupado com o que lhes pode acontecer.
É de amigo

inacreditável




Na Royal Academy of Arts vai estar em exposição durante o mês de Março obras de Lucas Cranach (1472–1553). Que foi um dos mais notáveis artistas da Renascença e um acérrimo defensor da Reforma.
Entre as suas obras mais conhecidas está Vénus, nua, pintada há 500 anos. A novidade é que o Tube de Londres proibiu a plubicidade da exposição nos seus corredores porque no cartaz estava a Vénus tal como vos mostro, sob o pretexto que pode ofender os passageiros.
Acreditam nisto?
Foi em Fevereiro de 2008

quarta-feira, fevereiro 13

os justos


Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.

O que agradece que na terra haja música.

O que descobre com prazer uma etimologia.

Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.

O ceramista que premedita uma cor e uma forma.

O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade,

Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.

O que acarinha um animal adormecido.

O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.

O que agradece que na terra haja Stevenson.

O que prefere que os outros tenham razão.

Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.


Jorge Luís Borges

segunda-feira, fevereiro 11

o que falta



Como foi largamente noticiado pela imprensa o deputado do CDS-PP Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado no Palácio da Ajuda. Apesar de estar em gestão corrente, o ex-ministro do Governo de Santana Lopes fez uma verdadeira maratona após ter passado mais de uma dezena de dias sem ir ao Ministério do Turismo.

Entre os documentos assinados, estava a segunda versão do parecer da Inspecção-Geral de Jogos que implicava a não devolução ao Estado do edifício do Casino de Lisboa, no Parque Expo, no final da concessão à Estoril Sol.

O que seria agora importante era que a imprensa fosse investigar que outros 299 despachos foram assinados nessa noite.

Mas isso seria pedir muito.

quarta-feira, fevereiro 6

é pena...




quando em futebol, Portugal tem que jogar contra equipas de primeira grandeza do futebol internacional, como acontece hoje com a Itália, põe a nu as fragilidades da equipa, tecnicamente muito pobre, sem jogo colectivo e que vive de rasgos individuais.
Também não deixa de ser curioso que os comentadores e jornalistas insistem que Cristiano Ronaldo joga sempre pior na selecção  que no Manchester, onde faz exibições extraordinárias. Nem lhes passa pela cabeça que a diferença está nos treinadores de uma e de outra equipa.

domingo, fevereiro 3

a floresta


de Aleksandr Ostróvski está em cena na Cornucópia até 17 de Fevereiro.

Trata-se de uma sátira aos costumes na melhor tradição do Teatro Russo.

A proprietária, Raissa Pálovna - numa soberba interpretação de Márcia Breia - viúva muito rica e que se faz passar por virtuosa, sem o ser, dirige com mão de ferro a sua herdade e quem nela vive, os seus criados e protegidos, não os deixando ser felizes.

Na sua casa todos a veneram e todos a temem com medo de perder o pouco que lhes dá.

São dois actores ambulantes pobres – um dos quais um sobrinho há muito ausente - que um dia chegam à herdade de Gurmíjskaia, e destroem o equilibrio que a viúva criara à sua volta.

É possivel ou não ser feliz sem dinheiro? é possível ou não os escravos serem livres?

A comédia tem arquétipos de todo o tipo, não falta a avarenta, o pato bravo, a velha criada submissa, e o amante.

De Aleksandr Ostróvski grande dramaturgo está para o Teatro Russo como Moliére para o Francês e Shakespeare para o Inglês. Para se saber quem era, basta ler como via o seu trabalho.

“O dramaturgo não deve inventar o que aconteceu, tem de escrever como se isso acontecesse ou pudesse acontecer; é nisso que consiste o seu trabalho; se concentrar a sua atenção neste aspecto, vão aparecer na sua peça pessoas vivas, vão falar”

É talvez por isso que a peça apesar das três horas de duração consegue manter sempre dialogos vivos de encontros e desencontros.

Bom trabalho da Cornucópia com encenação Luis Miguel Cintra e cenografia de Cristina Reis e obrigatório para quem gosta de bom Teatro.


quarta-feira, janeiro 30

escritos de loucura normal


Carta aos Médicos-chefes dos Manicómios

Senhores,
As leis e os costumes concedem-vos o direito de medir o espírito. Essa jurisdição soberana e temível é exercida com vossa razão. Deixai-nos rir. A credulidade dos povos civilizados, dos sábios, dos governos, adorna a psiquiatria de não sei que luzes sobrenaturais. O processo da vossa profissão já recebeu seu veredicto. Não pretendemos discutir aqui o valor da vossa ciência nem a duvidosa existência das doenças mentais. Mas para cada cem supostas patogenias nas quais se desencadeia a confusão da matéria e do espírito, para cada cem classificações das quais as mais vagas ainda são as mais aproveitáveis, quantas são as tentativas nobres de chegar ao mundo cerebral onde vivem tantos dos vossos prisioneiros? Quantos, por exemplo, acham que o sonho do demente precoce, as imagens pelas quais ele é possuído, são algo mais que uma salada de palavras?
Não nos surpreendemos com vosso despreparo diante de uma tarefa para a qual só existem uns poucos predestinados. No entanto rebelamos-nos contra o direito concedido a homens – limitados ou não – de sacramentar com o encarceramento perpétuo as suas investigações no domínio do espírito.
E que encarceramento! Sabe-se – não se sabe o suficiente – que os hospícios, longe de serem asilos, são pavorosos cárceres onde os detentos fornecem uma mão-de-obra gratuita e cómoda, onde os suplícios são a regra, e isso é tolerado pelos senhores. O hospício de alienados, sob o manto da ciência e da justiça, é comparável à caserna, à prisão, à masmorra. Não levantaremos aqui a questão dos internamentos  arbitrários, para vos poupar o trabalho dos desmentidos fáceis. Afirmamos que uma grande parte dos vossos pensionistas, perfeitamente loucos segundo a definição oficial, estão, eles também, arbitrariamente internados. Não admitimos que se freie o livre desenvolvimento de um delírio, tão legítimo e lógico quanto qualquer outra sequência de ideias e actos humanos. A repressão dos actos anti-sociais é tão ilusória quanto inaceitável no seu fundamento. Todos os actos individuais são anti-sociais. Os loucos são as vítimas individuais por excelência da ditadura social; em nome dessa individualidade intrínseca ao homem, exigimos que sejam soltos esses encarcerados da sensibilidade, pois não está ao alcance das leis prender todos os homens que pensam e agem.
Sem insistir no carácter perfeitamente genial das manifestações de certos loucos, na medida da nossa capacidade de avaliá-las, afirmamos a legitimidade absoluta da sua concepção de realidade e de todos os actos que dela decorrem.
Que tudo isso seja lembrado amanhã pela manhã, na hora da visita, quando tentarem conversar sem diccionário com esses homens sobre os quais, reconheçam, os senhores só têm a superioridade da força.
(Escritos de Antonin Artaud)

terça-feira, janeiro 29

mudam as moscas


A propósito desta remodelação governamental é bom que não percamos de vista, que não há políticas de ministros mas sim de governos.
Para contas futuras.

segunda-feira, janeiro 28

noticias de jornal


"Um caça F-16 da Força Aérea Portuguesa despenhou-se hoje perto da base de Monte Real, Leiria, mas o piloto ejectou-se, não havendo até ao momento registo de mortos, disse à Lusa fonte militar."
Sabe-se agora, de acordo com o Ministério da Defesa,  que se tratava de um treino simulado para testar o mecanismo do assento.

"O antigo bastonário da Ordem dos Advogados (OA) José Miguel Júdice criticou hoje o actual bastonário, em declarações ao Rádio Clube, por não concretizar as acusações que fez sobre alegados actos de corrupção por dirigentes do Estado."
Ao mesmo tempo que constitui advogado para se defender das acusações.

"Dois terços das perguntas dos deputados ao Governo estão sem resposta"
Questionado o Governo diz que tem coisas mais importantes para responder.

Oliveira e Costa Presidente do BPN diz que nada tem a esconder. 
Estas declarações foram prestadas depois de uma visita ao estrangeiro onde se encontrou com David Coperfield

"Satélite espião norte-americano vai cair na Terra mas não se sabe onde nem o que traz lá
dentro."
"O carburante mais comum nestes corpos celestes é a hydrazina, uma substância química altamente tóxica. Ela enche os depósitos dos aparelhos ditos "clássicos". Mas como se desconhece que corpo é o que está em queda, não se sabe o que é que ele traz dentro. Este químico, irritante, ataca o sistema nervoso central e numa dose mais forte pode ser letal."
Aqui está uma boa noticia para me fechar em casa.

benfica, que futuro? 1

Não gosto de pessoas com a personalidade de Camacho.
Estão sempre desconfiadas com as perguntas que lhes fazem, mostram sempre grande enfado quando estas não lhes agradam procurando desta forma condicionar novas perguntas. Nunca encaram os jornalistas de frente e nunca procuram ouvir e responder em função da pergunta. As respostas são sempre as mesmas, mesmo que nada tenham a ver com as perguntas.
São normalmente comportamentos de pessoas arrogantes e incompetentes, e podemos encontrar personalidade parecida, para não ir mais longe, em Scolari.
De uma coisa tenho a certeza, do jogo ele não quer nem sabe falar.
E este comportamento tem resultado porque a qualidade média dos nossos jornalistas desportivos é igual à qualidade de Camacho. Por isso nunca lhe fizeram as perguntas que lhe deveriam fazer.
Por exemplo:

Queixa-se com frequência que a qualidade do plantel não é do seu agrado, mas para ganhar ao Belenenses, Braga, Guimarães, Leixões Setúbal e a outras equipas que lutam para não descerem de divisão precisa de ter um plantel melhor?

Diz, sempre que empata ou perde, que as bolas não entraram apesar da equipa ter criado oportunidades. Mas então os níveis de eficácia não se treinam? A finalização não faz parte das disciplinas de treino? E se as vitórias são uma questão de sorte que faz Camacho à frente da equipa? Não poderia ser outra pessoa que ganhasse menos e tivesse mais sorte?

Porque razão o guarda redes Quim pontapeia a bola 20 vezes durante um jogo e destas 18 vão para um adversário.
Já lhe disse que a bola deve ser passada aos defesas ou aos médios para iniciar uma jogada de ataque?
E se já lhe disse que faz ele na equipa?

Nelson, em cada vinte lançamentos que faz da linha lateral 10 vão directamente para adversários.
Já lhe disse que os adversários só marcam golos se tiverem a posse de bola?
E se já lhe disse que faz ele na equipa?

Há pelo menos dez equipas na 1ª liga que jogam melhor futebol que o Benfica apesar de terem orçamentos vinte vezes menores. Será que isto não quer dizer nada.
Quer Camacho quer a imprensa só falam de valores individuais, se Cardoso jogou bem, se Rui Costa aguentou os noventa minutos, se Luisão mantém ou não a forma dos anos anteriores. Enaltece-se a qualidade de se jogar em equipa mas só se fala de individualidades.
Claro que as individualidades só têm importância quando o colectivo não joga futebol.
Então e a equipa. Defende bem? Ataca bem? Os médios conseguem fazer chegar a bola aos avançados? Percebe-se que o Benfica tem um estilo de jogo? E o futebol que o Benfica joga, chama mais gente aos estádios ou afasta-os?
A esta pergunta Camacho responde.
“Não é importante quem marca golos o importante é que se marque.”
Com esta resposta Camacho esconde duas coisas.
A incapacidade de o Benfica apresentar um modelo de jogo de ataque, e o desperdício de gastar uma fortuna com vários jogadores e depois não saber tirar partido das suas características.

Outro aspecto importante prende-se com o facto que com Camacho nenhum jovem vê confirmadas as suas qualidades.Prefere o cinzentismo de Maxi Lopes à criatividade de Di Maria prefere o futebol cacete de Petit ao risco Freddy Adu a ineficácia de Nuno Gomes à fantasia de Mantorras.

Camacho nunca assume riscos e a equipa no campo também não os assume.
Ou melhor, só assume o risco de perder e nunca o de ganhar.
Quando a equipa esta empatada ou a perder, faz sempre as mesmas substituições e mesmo quando os suplentes ajudam a resolver, no jogo seguinte lá estão nos seus lugares, isto é no banco de suplentes.
Que motivação é esta. Que estímulos são estes. É assim que se motivam jogadores?
É corrente dizer-se que o que distingue um bom de um mau treinador é a sua capacidade de potenciar a qualidade dos seus jogadores.Camacho confirma em absoluto esta teoria. Os bons jogadores com Camacho são médios e os médios jogadores são maus. É por isso sendo o plantel do Benfica constituído em média por jogadores médios, formam uma má equipa.
Não há diferença significativa entre este Benfica e o Benfica de Fernando Santos, ambos praticam mau futebol apesar do capital investido este ano.

Só espero é que desta vez, não se contratem os jogadores que Camacho gosta - e nós sabemos que tipo de jogadores ele gosta – e no fim da época vai o Camacho e ficam os jogadores.

Ao Benfica cabe-lhe responder às seguintes perguntas.
Que politicas de contratação quer o clube.?
É aceitável que se gastem milhões de euros em jogadores que não jogam? Que responsabilidades tem o treinador que recomenda a contratação de um jogador e não o põe a jogar?
Quem define o modelo de jogo é o clube ou o treinador?
Se for o clube, como entendo que deve ser, deve ser também o clube a contratar.
É o perfil do treinador Camacho – pouco ambicioso no modelo de jogo,antiquado nos métodos, mau potenciador da qualidade futebolística dos jovens jogadores – o adequado para tornar o Benfica de novo numa grande equipa de futebol?
Não
Da responsabilidade do Presidente falarei num post próprio.

P.S. estava prometido este post há algum tempo, mas só depois de uma vitória – que vai servir para mascarar a realidade – encontrei o estimulo que precisava.

quarta-feira, janeiro 23

os trapalhões


GOVERNAM PARA A TELEVISÃO. Fazem legislação para as sondagens. Tomam medidas para mostrar trabalho feito. São peritos em encenação. Vivem obcecados com a propaganda. Anunciam a ideia, anunciam o projecto, anunciam a correcção, anunciam a revisão, anunciam o concurso, anunciam a adjudicação, anunciam a decisão prévia, anunciam a nova correcção, anunciam a primeira inauguração, anunciam a segunda inauguração... As suas decisões servem para afirmar autoridade, sem que o seu conteúdo ou a sua bondade tenham qualquer relevo. Fazem obra para criar emprego, satisfazer os amigos, colocar os correligionários e gastar dinheiro. Como disse o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, o governo tem cada vez menos capacidade técnica e científica para preparar e tomar decisões. Os ministros confiam nos amigos, no partido e nas empresas complacentes e desprezam as opiniões técnicas e independentes. Os directores-gerais e os presidentes de institutos têm de ser de confiança política, também eles trabalham para as eleições. E o Parlamento? Poderá perguntar-se. Esse vive em sabática de competência. E em jejum de qualificações. Só nos resta acreditar no aforismo: quem governa pela propaganda, pela propaganda morre.
António Barreto «Retrato da Semana» - «Público» de 20 de Janeiro de 2008

domingo, janeiro 20

não tem fim...


A Procuradoria-Geral da República  anunciou  que foi deduzida acusação contra seis arguidos do processo Bragaparques, incluindo o ex-presidente da Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues e os antigos vereadores Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão.

“Em causa está a condução por responsáveis eleitos para a Câmara Municipal de Lisboa do processo que conduziu à aquisição pela Parque Mayer/Bragaparques dos terrenos antes ocupados pela Feira Popular,” explicou a PGR.

O caso Bragaparques remonta ao início de 2005 quando a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por maioria, à excepção da CDU, a permuta dos terrenos do Parque Mayer, da Bragaparques, por parte dos terrenos camarários no espaço da antiga Feira Popular, em Entrecampos.

O negócio envolveu ainda a venda em hasta pública do lote restante de Entrecampos, que foi adquirido pela mesma empresa, que exerceu um direito de preferência que viria a ser contestado pela oposição na autarquia lisboeta.

Mas nada vai acontecer.

A tragédia é que nem eles são condenados, nem demitidos por incompetência  os magistrados que os acusam.


sábado, janeiro 19

iguais...


O Banco de Portugal como se sabe, não supervisiona a Banca, apesar de dever fazê-lo.

Diz  Vítor Constâncio que não tem meios e que confia nos Administradores sobre as informações que lhes pede e que aqueles lhe dão.

Sobre a KPMG que fiscaliza as contas do banco nada se diz, mas esta já disse que informava o Banco de Portugal das irregularidades do BCP.

Temos assim que o poder de supervisão do Banco de Portugal funciona desta maneira.

O Governador pergunta e o Banco mente.

E o Governador sabe que o Banco mente.

Podemos dormir descansados.

Só não podemos, porque aparece agora Manuela Ferreira Leite a dizer que devemos ter cuidado com as criticas ao Banco de Portugal para não destabilizar o Mercado Financeiro.


Hoje eles amanhã nós

não percebo...


Não consigo perceber o que faz ainda o José Manuel Fernandes como Director do Público

o preço do silêncio

Sabe-se agora que o ex-presidente da Comissão Executiva (CEO) do Banco Comercial Português (BCP), Paulo Teixeira Pinto, de 47 anos, saiu do BCP  com uma indemnização de 10 Milhões de Euros e uma reforma vitalícia para o casal de 35 mil euros por mês  durante 14 meses. Os 10 milhões de euros são para que Teixeira Pinto não volte a exercer funções em instituições bancárias concorrentes. Situação pouco provável, atendendo aos maus resultados conseguidos durante o exercício do seu mandato. Quero crer que este valor foi pago para que não divulgasse, entre outros, os  obscuros segredos das  off-shores.

Reforma vitalícia para o casal significa que mesmo que ele morra a mulher, Paula Teixeira da Cruz, continua a beneficiar desta reforma.

É verdadeiramente inacreditável o que se passa no nosso País nesta matéria.

Por um lado enchem as páginas dos jornais dizendo que se deve ganhar em função do mérito e depois negoceia-se coisas destas.

Teixeira Pinto parecia querer lutar contra a prepotência do fundador mas percebe-se agora os argumentos utilizados para ter renunciado à Presidência do BCP.

Estranho também que a mulher tenha aceite ser parte neste acordo como se sentisse merecedora de um prémio de reforma do marido nestas circunstâncias.

Entretanto o Banco anunciou que vai apresentar resultados mais baixos que no ano anterior, e uma das razões que invoca é o pagamento de indemnizações aos seus Administradores.

Para quem enchia a boca de valores éticos, estamos conversados.

São assim os Banqueiros de Deus.

sexta-feira, janeiro 18

gazela da morte obscura

Quero dormir o sono das maçãs, 

fugir do tumulto que há nos cemitérios. 

Quero dormir o sono do menino 

que queria cortar seu coração no alto - mar. 


Não quero que me repitam que os mortos não perdem o sangue; 

que a boca impaciente continua a pedir água. 

Não quero inteirar-me dos martírios que a erva nos dá, 

nem da lua com boca de serpente 

que trabalha antes do amanhecer. 


Quero dormir um pouco, 

um pouco, um minuto, um século; 

mas saibam todos que ainda não morri; 

que em meus lábios há um estábulo de ouro; 

que sou o querido amigo do vento Oeste; 

que sou a sombra imensa das minhas lágrimas. 


Cobre-me com um véu ao amanhecer, 

pois vai atirar-me mãos cheias de formigas, 

e com água dura molhar meus sapatos 

para mais deslizar o ferrão do seu lacrau.

 

Porque quero dormir o sono das maçãs 

para aprender um pranto que me limpe de terra; 

porque quero viver com o menino obscuro 

que queria cortar seu coração no alto - mar. 


Federico Garcia Lorca

sábado, janeiro 12

Cassandra’s Dream


Gosto muito de Woody Allen.

Sempre que estreia um filme seu, vou ver, porque sei que vou ver um filme sobre pessoas, quase sempre numa historia bem contada.

Nem todos os seus filmes são obras primas. Mas são sempre filmes  com uma direcção de actores excepcional que merecem ser vistos. 

Outra vez situado em Londres, “Cassandra’s Dream” magnificamente interpretado por  Ewan McGregor e Colin Farrell, dois irmãos que cometem um crime bárbaro em troca de ascensão social. Entre ambição desmedida e mentiras o filme vai-se desenvolvendo até que cometem um homicídio.  O drama passa então a desenvolver-se a partir dos problemas de consciência, de um dos irmãos,  agravada pela diferença significativa das suas personalidades o que os conduz a uma tragédia ainda maior.

O Sonho de Cassandra  é um filme com muito boas interpretações, realizado com elegância e economia de meios, Woody Allen fez um filme hipnotizante, que conta com uma banda  sonora original, assinada por Philip Glass, que muito contribui para a boa atmosfera do filme.


Fico à espera do próximo filme que entretanto já realizou agora em Barcelona com Penélope Cruz a Scarlett Johansson.


quinta-feira, janeiro 10

o novo aeroporto

Disse em 22 de Novembro de 2005 o Primeiro-Ministro na sessão de encerramento da Apresentação Pública do Novo Aeroporto «Lisboa 2017: Um aeroporto com futuro”
“Mas, a verdade, é que de todas essas localizações a melhor, aquela que melhor serve os interesses do País é a da Ota.”
Em 27 de Maio de 2007 disse Mário Lino Ministro das Obras Públicas 
«O que eu acho faraónico é fazer o aeroporto na Margem Sul, onde não há gente, onde não há escolas, onde não há hospitais, onde não há cidades, nem indústria, comércio, hotéis e onde há questões da maior relevância que é necessário preservar.»
No entender de Mário Lino, o novo aeroporto devia ser na Ota porque «corresponde à estratégia de desenvolvimento que o Governo entende que deve ser seguida, onde está 40 por cento da população, onde estão as vilas, aldeias, indústrias e comércio, hotéis e turismo». Disse ainda o ministro que já tinham sido abertas propostas de três consórcios internacionais de projectos de arquitectura.
Parecia que nada impedia que se fizesse um aeroporto em que poucos percebiam as vantagens.
A polémica foi tanta, que depois de vários estudos apresentados pelos Lobis dos interesses aos
dois locais possíveis, Ota e Alcochete, o Governo manda o LNEC fazer um estudo. E o LNEC estuda e diz que Alcochete é a melhor localização, e diz também que é do ponto de vista técnico e financeiro é globalmente mais favorável do que a Ota.

Hoje Primeiro Ministro anuncia ao País que o novo aeroporto vai ser em Alcochete.

Dois aspectos essenciais a reter.

1º Estava tudo em condições para se fazer um aeroporto de 5,1 Mil Milhões de euros que se sabe agora não servia os interesses do País.

2º O mesmo Governo que ia fazer um aeroporto onde não fazia falta teve coragem (apesar de
pressionado) de emendar a mão e voltar atrás com uma decisão que já estava tomada.

Faltam agora quatro coisas.
A demissão do Ministro das Obras Públicas (nada nos garante que em futuras obras a leviandade não seja a mesma)
Que o Governo no futuro ponha à discussão Publica obras importantes para que não se
cometam erros destes.
Que sejam divulgados os custos dos seis estudos e relatórios de análise que foram realizados por consultores internacionais, a quem o Governo pediu, nestes últimos cinco meses para, olhando
para os estudos realizados, poderem confirmar as conclusões que Ota era a melhor solução.
Saber se foi negociado com a Lusoponte o valor a pagar por se ter que fazer uma nova ponte sobre o Tejo.
Ah, e a partir de hoje vamos assistir aquele Carnaval interessantíssimo que é ver os mesmos personagens que defendiam a Ota passarem a defender Alcochete com os mesmos argumentos e com a mesma convicção.
É sempre a parte mais engraçada, quando nos querem fazer passar por tolos.

um homem sem qualidades


Caiu definitivamente a mascara a Sócrates.
Prometeu referendar o Tratado Europeu e apesar de ser uma promessa que consta no programa de Governo vai propor a ratificação do Tratado por via Parlamentar, exactamente ao contrário do que fez com a lei da despenalização do aborto, em que poderia aprová-la no Parlamento e decidiu referendá-la.
Tudo evidentemente em nome do interesse europeu.
A opinião dos cidadãos nesta matéria não é para ele importante.
Não precisava de invocar as pressões que outros dirigentes europeus lhe teriam feito, porque ninguém acredita nisso.
Como se Gordon Brown, Sarkozy, ou Angela Merkel precisassem de Sócrates para alguma coisa.
Nada que não se esperasse. Já aqui o tinha escrito.
Esta atitude do primeiro ministro levanta uma questão que é esta.
Qual é a importância que ele atribuiu aos cidadãos quando se trata de decisões fundamentais para a nossa vida colectiva?
Nenhuma.
Definitivamente não presta.

quarta-feira, janeiro 9

No ponto onde o silêncio


No ponto onde o silêncio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
Tão nítido e preciso era o vazio.

Sophia de Mello Breyner Andresen


terça-feira, janeiro 8

tão amigos...

Sousa Tavares escreveu na sua crónica do Expresso no passado fim de semana, entre outras coisas, o seguinte:
"Bem-vindo ao ano de 2008 e a um país onde o terror passou a ser lei e o Estado democrático e republicano foi substituído por um Estado policial onde a totalidade dos cidadãos assume a condição de vigilantes da lei e da virtude e a totalidade das forças policiais estão mobilizadas para acorrer a todo o lado e reprimir na hora os prevaricadores dos bons costumes. Havia a Arábia Saudita, o Irão e os Estados Unidos. Agora há mais um país oficialmente fundamentalista: Portugal."...
"Só alguém com sérios problemas mentais poderia ter feito esta lei. E só uma Assembleia de deputados incompetentes e sem coragem nem vontade própria a poderia ter aprovado. É uma lei à medida de um país de polícias e de eunucos.."
Estou de acordo com uma grande parte do que escreve Sousa Tavares, e desconfio da bondade de um Governo que fecha Centros de Saúde e diz-se preocupado com os fumadores passivos.
Parece que hoje foi a vez de fazer as pazes com Sócrates num almoço no Gambrinus que durou até às quatro.
Ou será que Sócrates vai modificar a lei para permitir que Sousa Tavares possa fumar onde quiser?
Depois deste almoço fico cheio de curiosidade sobre o teor das próximas crónicas de Sousa Tavares.

domingo, janeiro 6

morreu um mestre


É difícil ser tão frontal e assumir as consequências da sua liberdade critica.

Não houve outro igual nas nossas letras.

E é pena que não haja mais Pachecos na nossa literatura. Alguém conhece?

E era assim que via os outros.


O homem tem uma cara de parvo chapado. Eu estou farto de ler o gajo. Um dia, entro numa livraria e pego nisto ("Boa Noite") e vejo: "Romance". Eu desato a rir a gargalhada! Isto lê-se em dez minutos, este gajo deve ser mas é maluco!"
Luiz Pacheco, sobre Pedro Paixão, em entrevista ao Jornal de Letras de 24 de Setembro de 1997

"O Lobo Antunes e o Saramago não estão a escrever para vocês nem para mim. Estão a escrever uma coisa género "standard", que é o romance internacional. (...) Como sabem que vão ser traduzidos, têm de fazer uma linguagem o mais corrente possível, mais linear, mais badalhoca."
Idem, ibidem

"O Big Brother é um disparate, mas pior é o Emídio Rangel".
Luiz Pacheco (escritor)
Focus, citado por Tal&Qual, 12-Abr-01

Agustina [Bessa-Luís] é a figura essencial na ficção, não tem parceiro. Ao pé dela, falar do Saramago é como falar do cão... A Agustina é ímpar a retratar os meios ligados ao poder e ao dinheiro.
(...)

O Eduardo Lourenço (...) já está um bocado gagá, mas foi muito importante. A Heterodoxia é um grande livro, que mudou a minha cabeça: tão contundente, tão extraordinário, tinha umas coisas de filosofia que, naquele momento, nem sequer consegui acompanhar.
(...)

[Eduardo Prado Coelho] é um tipo muito esperto, usa a inteligência para navegar. É muito antipático para mim, não gosto dele nem da maneira como escreve, mas não escreve mal.
(...) 

Sem papas na língua.

 

terça-feira, janeiro 1

para começar bem o ano


 

Não há melhor maneira de começar bem o ano, no que à musica diz respeito, do que ouvir  "As variações Goldberg" que  resultaram de uma encomenda, feita a Johann Sebastian Bach  pelo Conde Kaiserling, um aristocrata melómano.  
O conde Kaiserling sofria de insónias, pelo que decidiu encomendar a J. S. Bach umas peças para cravo, para Johann Goldberg que era um jovem  cravista talentoso, e aluno de Bach em Leipzig.
Bach  nesta obra explora no cravo todos os seus estados de espírito e a sua complexidade só  é comparável a outras duas obras do mesmo autor, os Livros 1 e 2 do Cravo Bem Temperado.  
A melhor versão considerada unanimemente pelos críticos é a tocada por Glenn Gould.  
Esta obra requer um grande virtuosismo por parte do interprete  e nenhum outro conseguiu imprimir maior claridade ao som do piano que Glenn Gould, que rejeita o uso do pedal produzindo assim unicamente  os sons que querem os seus dedos.  
Não deixem de a ouvir.