domingo, abril 13

noite de teatro

O Teatro da Cornucópia tem levado à cena alguns dos grandes clássicos de todos os tempos, de Shakespeare, a Gil Vicente, de Tchekov a Strindberg, Beaumarchais, Lenz, Hölderlin, Kleist. É um teatro de intervenção e por isso  abordou alguns trabalhos dos dramaturgos de escrita mais radical do século XX como Beckett, Orton,Edward Bond, Pasolini, Botho Strauss, Genet, Gertrude Stein, Lars Nóren, Brecht, P. Handke, e Fassbinder.

A sua intervenção no espaço Português e o seu prestigio nos palcos internacionais têm feito mais pelo Teatro Português que todos os Ministros da Cultura.

Em cena e estreado há poucos dias está Don Carlos, Infante de Espanha. 

 

Don Carlos é um drama histórico que recria o reinado de Filipe II de Espanha, despótico e repressivo e que se opunha aos valores da liberdade.

O Rei casa com Isabel de catorze anos, na sequência de um tratado de paz assinado entre os dois países em 1559.

Isabel de Valois era filha do rei Henrique II de França e de Catarina de Médici.

O amor do príncipe D. Carlos filho de Filipe por aquela que se tornou sua madrasta torna-se impossível. Don Carlos e o amigo Rodrigo, Marquês de Posa, querem impedir a repressão violenta da revolta na Flandres. São perseguidos como rebeldes pela Inquisição sempre presente. Rodrigo amigo intimo, quase irmãos, sacrifica-se por Don Carlos. O Rei vive dolorosamente a contradição entre os valores de Estado e a sua natureza humana.

Pressentem-se no texto, datado de 1787, os valores da Revolução Francesa - liberdade, igualdade, fraternidade. 

A peça é de grande riqueza nos diálogos e com muito boas interpretações, Rita Durão no papel de Isabel de Valois, está soberba.

Pena é que os cenários sejam excessivamente despojados.

Mais uma grande noite de Teatro, que a Cornucópia  teima em nos oferecer.



Autor Friedrich Schiller

Encenação Luís Miguel Cintra

Elenco Duarte Guimarães, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luís Lucas, Márcia Breia, Nuno Lopes, Rita Durão, Rita Loureiro e Sofia Marques

Cenografia e Figurinos Cristina Reis


que bonita que é lisboa


Só passeando pelo Jardim de S. Pedro de Alcântara se percebe o crime que foi, estar aquele miradouro fechado anos, porque a Câmara de Lisboa, no reinado de Santana e de Carmona, não pagava ao empreiteiro que fez a remodelação.

sábado, abril 12

a semana em revista


  • Jardim Gonçalves deu uma entrevista ao Público com condições. Respondia só ao que queria e por escrito.

Quando um jornal aceita fazer uma entrevista assim, pergunto que interesses prossegue, se os do leitor se outros.

Só faltou saber se Jardim pagou a entrevista, sob forma de publicidade paga.


  • Nunca mais se soube nada sobre o inquérito que o Banco de Portugal disse que ia fazer no BPN.

Porque será?

  • O BCP impugnou a decisão de Banco de Portugal porque este quer impor o segredo de justiça na audição de arguidos, a propósito da utilização de off-shores por parte do Banco para a compra de acções próprias.

Esperava ler a noticia ao contrario que era o Banco de Portugal a querer transparência e o Banco segredo.

Porque será?


  • Berlusconi é caso único no Mundo.Conspira quando não está no Governo e é sempre candidato.

Ele sabe, que se não está a fazer uma coisa ou outra, é julgado, e provavelmente irá assistir ás eleições numa cela. Onde alias, deveria estar.


  • Caiu o Carmo e a Trindade com os elogios que Jaime Gama endereçou a Alberto João Jardim.

Não sei que tomadas de posição, que ideias, que comportamentos de Jaime Gama indiciavam, que os homens não se gostavam.


  • O aumento dos preços dos alimentos especialmente nos países sub-desenvolvidos está a provocar um terrível flagelo de fome difícil de perceber.

Há varias causas que procuram explicar este fenómeno mas a verdade é que de acordo com dados da FAO a produção em 2004 de cereais por hectare era de 3,3 toneladas e em 1990 era de apenas 2,74 toneladas. 

Numa década a produção aumentou mais de meia tonelada por hectare, sendo que a população está a aumentar muito devagar. Não é assim por falta de produção de cereais que há pessoas a morrer. É pela sua distribuição.

Ainda assim e de acordo com o relatório da OCDE os países mais desenvolvidos do Mundo não estão a contribuir com o que se comprometeram para, entre outras coisas, erradicar a pobreza Mundial até 2015. Portugal reduziu em 22 milhões de euros a ajuda em 2007. De acordo com o Governo este desinvestimento deve-se à necessidade de combater o défice.

Apesar disto mantém o apoio militar numa guerra que não é nossa.

Prioridades.

quinta-feira, abril 10

ontem...

começaram a ser julgados no Tribunal de Monsanto 36 shinheads.
Estes indivíduos são acusados de 202 crimes entre os quais detenção de armas proibidas ofensas à integridade física, de coacção e principalmente de discriminação racial. Nos termos da acusação, Mário Machado-o líder do grupo- e Vasco Leitão, difundiam num site textos de "caris racista, xenófobo e nazi e onde são feitos apelos a agressões a minorias étnicas, membros de partidos de correntes anti-racistas e homossexuais."
Não se trata de crimes por delito de opinião, mas de crimes previstos e punidos no código penal.
Da leitura da acusação percebe-se o nível destes sujeitos, e espera-se que provados que sejam os crimes sejam condenados adequadamente.
E que cumpram a pena no Estabelecimento Prisional de Lisboa, em boa companhia.

terça-feira, abril 8

que diferença...


acabo de ver os quartos de final da Taça dos Campeões entre o Liverpol e o Arsenal.
E quanto mais vejo jogos entre equipas inglesas menos vontade tenho de ver os nacionais.

segunda-feira, abril 7

Vou-me embora pra Pasárgada


Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

- Lá sou amigo do rei -

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada


Manuel Bandeira

sábado, abril 5

acreditem, que é verdade


Só hoje recuperei de uma crónica que li na passada quarta feira no Público da autoria de Santana Castilho.
Dizia Castilho (não sei porquê mas prefiro chamar-lhe assim) que Carlos Zorrinho escreveu, a propósito do episódio na Carolina Michaelis, no Acção Socialista de 18 de Março o seguinte: ....”
A vida é hoje cada vez mais multifuncional. Ao mesmo tempo vemos televisão,lemos,escrevemos jogamos e falamos! É isso que os jovens estudantes fazem quando estudam com a música alta, o computador ligado e o telemóvel pronto a trocar mensagens. É assim que aprendem e é nesse ambiente que vão criar valor.
E a escola? A escola é cada vez mais isso nos intervalos, nas actividades lúdicas e complementares, mas não tem ainda condições para ser isso nos períodos formais de aulas...
” Pelo que se lê é este o modelo de escola do responsável da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico. Como a minha surpresa foi maior que a do Prof.Castilho procurei na net o artigo para comprovar o que li, mas não o encontrei. Só estavam disponíveis os jornais até Dezembro de 2007. Fiquei de boca aberta mas com a esperança que o Prof. se tivesse enganado.
Continuei a ler a crónica e a propósito da Lei nº 23/2006, de 23 de Junho diz Castilho:
Segundo tal diploma legal, e cito o que na altura aqui escrevi, um grupo de jovens de seis anos de idade, seis, pode constituir-se em associação de estudantes. Se o fizer, tem direito a apoio financeiro, técnico, formativo e logístico por parte do Estado. Tem direito a tempo de antena no serviço público de rádio e de televisão. O estado deverá remeter a esse grupo de jovens todos os projectos de actos legislativos que se refiram à definição planeamento e financiamento do sistema educativo, à gestão das escolas, ao acesso ao ensino superior à acção social escolar... e continua.....Para além da audição obrigatória por parte do Estado, estes jovens de seis anos ainda tem o direito de ser consultados pelos órgãos de gestão das escolas que frequentem quanto às seguintes matérias: projecto educativo da escola; regulamentos internos; planos de actividades e orçamentos; projectos de combate ao insucesso escolar, avaliação; acção social escolar; organização de actividades de complemento curricular e do desporto escolar.
Pensei que o Prof. Castilho tinha preparado a crónica para o dia 1 de Abril, mas só tinha conseguido publica-la no dia seguinte e resolvi por descargo de consciência consultar o Diário da Republica de 23 Junho de 2006 e, acreditem que estava lá tudo isto.
E fiquei a pensar se esta Lei não foi feita pelo autor do Plano Tecnológico.
É que assim estava tudo explicado, incluindo a agressão, e eu só tenho que renovar o passaporte para emigrar...para longe, para muito longe.

segunda-feira, março 31

notícias de jornal

Manuel Pinho nega ter prejudicado a Goldman Sachs por causa das críticas de António Borges enquanto militante do PSD à forma como foi conduzida a mudança da presidência da EDP.O ministro é acusado de ter cancelado os contratos do Governo com este Banco de Investimentos de que António Borges era Vice-Presidente.
Não me custa nada a acreditar que seja verdade, como não me custa a acreditar que se o Governo fosse PSD e o critico do PS que se teria passado exactamente o mesmo.
São cada vez mais as semelhanças.

Pacheco Pereira devia pedir uma licença sabática.
Não se pode aturar, cada vez que puxa da caneta sai asneira.
A sua última crónica do Público, na defesa da Guerra do Iraque, é de chorar de pena.
A continuar assim a sua importância para os leitores vai ser igual à da Laurinda Alves.

Das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas só foram preenchidas 10. A maior parte das unidades carenciadas ficam no interior e alguém nos deve explicar porque razão se andou durante tantos anos a impedir que jovens com talento se licenciassem, e que falte médicos no interior do País.

O Governo baixo o Iva de 21% para 20%.
Vai ser bom para as empresas que compram grandes quantidades e para as que vendem, porque para mim vou pagar o mesmo.

O artigo do Francisco Teixeira da Mota sobre a Guerra no Iraque "um erro histórico" foi a melhor coisa que se publicou nos jornais de fim de semana.

O Benfica venceu o P. Ferreira por 4-1. Só não sou testemunha porque adormeci de tédio antes de começar a segunda parte.

domingo, março 23

a teimosia e a guerra

No artigo que Pacheco Pereira escreveu no Publico de ontem, vem reforçar a ideia que sempre defendeu, que a invasão ao Iraque se justificava, e que apesar da condenação da opinião publica Mundial sobre a guerra e os seus motivos,ele continua a achar a invasão e a guerra muito bem.
Os milhares de mortos, as torturas, a ocupação de um País por tropas estrangeiras e a humilhação de um povo, nada disso preocupa Pacheco mesmo que o fundamento da ocupação - as famosas armas de destruição maciça - nunca se tenham encontrado.

Nem os Americanos que estiveram de acordo com a invasão são hoje tão categóricos.

Mas há motivos para me admirar desta atitude ?

Não, não há. É Pacheco igual a si próprio, nunca se engana,e quanto mais é desmentido pelos factos, mais ele os nega, numa atitude de superioridade intelectual própria de quem acha que o seu umbigo é o centro do Mundo.

Detesta ter uma só ideia que seja uma ideia da maioria das pessoas. Se fosse maioritário o apoio à guerra Pacheco defenderia o contrário.

São assim diferentes estes "intelectuais". O que Pacheco Pereira tem para vender são ideias, e ele trata-as como mercadoria. Só tendo mercadoria diferente a pode vender nos jornais e nas televisões, e desdobrar-se em entrevistas, artigos de opinião e em programas. Onde se discute uma ideia lá está o Pacheco.

É mais um especialista em assuntos gerais. Se assim não fosse quem saberia quem é Pacheco Pereira?


sexta-feira, março 21

no dia mundial da poesia



Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.

Jorge de Sena

sábado, março 15

que vergonha...




Vergonhosa foi a entrevista dada hoje no expresso por Abel Pinheiro.

Já não me lembrava que havia gente desta.

Que jornalista é aquele que permite que o homem diga o que quer?

A quem terá telefonado para dar a entrevista?

Que pena o Governo de Socrates ter proibido a transmissão das escutas telefónicas.


sexta-feira, março 14

uma questão de peso


A propósito de umas intrigas em família, Manuela Ferreira Leite diz que não se faz a António Capucho o que Ribau Esteves fez. Este agradeceu a colaboração, em jeito de despedida, depois de Capucho ter feito criticas à Direcção de Menezes, ameaçando abandonar o Partido. 

Diz Ferreira Leite que "o partido não pode dar-se ao luxo de dispensar uma pessoa com o estatuto, a história,o peso na sociedade que tem António Capucho.Não pode." Se fosse um militante de base podia à vontade, mas ao Capucho não. É tudo uma questão de estatuto.

segunda-feira, março 10

adiós Camacho


há muitos anos que um treinador do Benfica não me dava motivos para tamanha alegria.

domingo, março 9

é estranho? não é.

É curioso ver as mais variadas reacções, a propósito da manifestações dos professores.

Personalidades tão próximas como Paulo Portas e Pacheco Pereira, estão de acordo com a manifestação, o que é estranho a avaliar pelo seu passado. 

Augusto Santos Silva e Miguel de Sousa Tavares são contra, o que é de admirar, também pelo seu passado.

Parece estranho mas não é, já que no geral todos eles são contra manifestações desde que eles não estejam de acordo com os objectivos dos manifestantes.

Ou melhor, se são partidários do partido que está no poder estão contra, se são dos partidos na oposição são a favor.

O que quer dizer que, são de facto todos, contra o direito a que as pessoas se manifestem.

O direito a manifestar-se é um direito reconhecido universalmente e nem é preciso de invocar a Constituição da Republica para o legitimar. Se concordamos ou não com os motivos são coisas diferentes.

Se os professores acham que aquele diploma não vai de encontro aos seus interesses, claro que se devem manifestar e a adesão em massa quer dizer que uma parte significativa dos professores contesta a política para a educação do governo. 

Mas a política da educação do País não diz respeito só aos professores, diz respeito a todos os cidadãos.

E mesmo que eu não esteja completamente de acordo com os motivos, estou absolutamente de acordo com a manifestação.

Cabe agora ao Governo tirar os respectivos ensinamentos, sendo certo que a legitimidade democrática do governo não pode ser posta em causa por cem mil manifestantes.

Nas próximas eleições serão todos os portugueses, e não só os professores, a dizer o que acharam das políticas do Governo PS.

sexta-feira, março 7

tristeza


estou a ver Avelino Ferreira Torres numa entrevista à Sic Noticias e pergunto que futuro tem um povo que elege várias vezes este homem como presidente de Câmara

terça-feira, março 4

de seda...

Meu Senhor Amado não tenhas medo, não te mexas, fica em silêncio, ninguém nos verá.

Fica assim, quero olhar para ti, olhei-te muito mas não eras para mim, agora és para mim, não te aproximes, por favor, fica como estás, temos uma noite  para nós e eu quero olhar para ti, nunca te vi assim, o teu corpo para mim, a tua pele, fecha os olhos, e acaricia-te, por favor, não abras  os olhos se puderes, e acaricia-te, são tão bonitas as tuas mãos, sonhei com elas tantas vezes, agora quero vê-las, gosto de as ver na tua pele, assim, por favor, continua, não abras os olhos, eu estou aqui, ninguem nos pode ver e eu estou ao pé de ti, acaricia-te meu senhor amado, acaricia o teu sexo, peço-te, devagar, é bonita a tua mão no teu sexo, não pares, eu gosto de olhar para ele e de olhar para ti meu senhor amado, não abras os olhos, ainda não, não tenhas medo, estou perto de ti, sentes-me? Estou aqui, posso aflorar-te, isto é seda, sentes?, é a seda do meu vestido, não abras os olhos e terás a minha pele, terás os meus lábios, quando te tocar pela primeira vez será com os meus lábios, tu não saberás onde, a determinada altura sentirás o calor dos meus lábios, sobre ti, não podes saber onde se não abrires os olhos, não os abras, sentirás a minha boca onde não sabes, de repente, talvez seja nos teus olhos, apoiarei a minha boca nas palpebras e nas pestanas, sentirás o calor entrar na tua cabeça, e os meus lábios nos teus olhos, dentro, ou talvez seja no teu sexo, apoiarei os meus lábios, lá em baixo, e descerrá-los-ei descendo pouco a pouco, deixarei que o teu sexo entreabra a minha boca, entrando entre os meus lábios e empurrando a minha língua, a minha saliva descerá ao longo da tua pele até á tua mão, o meu beijo e a tua mão, um dentro do outro, no teu sexo, até que finalmente te beijarei no coração, porque te quero, morderei a pele que bate no teu coração, porque te quero,e com o coração entre os meus lábios tu serás meu, de verdade, com a minha boca no coração tu serás meu, para sempre, se não acreditas em mim abre os olhos meu senhor amado e olha para mim, sou eu, quem poderá alguma vez apagar este instante que acontece, e este meu corpo sem mais seda, nas tuas mãos que lhe tocam, os teus olhos que olham para ele, os teus dedos no meu sexo, a tua língua nos meus lábios, tu a deslizar debaixo de mim, pegas nas minhas ancas, levantas-me, deixas-me deslizar sobre o teu sexo, devagar, quem poderá apagar isto, tu dentro de mim mexendo-te devagar, as tuas mãos no meu rosto, os dedos na minha boca, o prazer nos teus olhos, a tua voz, mexes-te devagar mas até me magoar, o meu prazer, a minha voz, o meu corpo sobre o teu, as tuas costas a levantarem-me, os teu braços a segurarem-me, os golpes dentro de mim,é violência doce, vejo os teu olhos procurarem nos meus, querem saber até onde me podem magoar, até onde quiseres, meu senhor amado, não há fim, não acabará, vês? Ninguém poderá apagar este instante que acontece, para sempre atirarás a cabeça para trás, gritando, para sempre fecharei os olhos arrancando as lágrimas das minhas pestanas, a minha voz dentro da tua, a tua violência a manter-me agarrada já não há tempo para fugir nem força para resistir, tinha que ser este instante, e este instante é, acredita em mim, meu senhor amado, este instante será, de agora em diante, será, até ao fim.-Não nos voltaremos a ver, Senhor.

-Aquilo que era para nós, fizemo-lo, e vós sabeis. Acreditai em mim: fizemo-lo para sempre. Protegei a vossa vida de mim.

E não hesitai um instante, se for util para vossa felicidade, em esquecer esta mulher que agora vos diz, sem lamentar, adeus.

Carta que a mulher escreve ao marido numa história de amor que não é aquilo que parece.

Seda, inicialmente editado pela Difel, volta agora aos escaparates pela mão da Dom Quixote. Há uns anos atrás quando li o primeiro livro de Barrico "Novecentos" comprei todos seus livros entre os quais este, que não li. Sei agora, que a capa era feia e que não chamava a atenção.
Sei também agora, que durante uns anos não conheci este conto maravilhoso que parece um sonho e que nos envolve como um manto de seda. Leve, leve...

sábado, março 1

sem palavras...


Reparem nesta pergunta que faz parte dos critérios de avaliação dos professores do agrupamento escolar Correia Mateus em Leiria.


"Verbaliza a sua insatisfação/satisfação face a mudanças ocorridas no Sistema Educativo/na Escola através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares" é um dos indicadores incluídos no critério da "dimensão ética" 


Se fosse em Cuba ninguém se escandalizaria.


Mesmo que a Ministra venha agora dizer que a pergunta será retirada, só o simples facto de alguém se lembrar de a fazer é suficientemente grave.

soneto 101


Ó musa indolente, qual a tua desculpa 

P'ra esqueceres a verdade, tinta de beleza? 

Do meu amor dependo a, beleza e a verdade, 

Assim também tu, e nelas te dignificas. 

Responde, musa, tu não dirás porventura, 

Que à verdade não queiram dar cor, tem cor próprias ?

E à beleza não há pincel que dê cor pura ? 

o melhor não será, melhor sem ter misturas? 

Por não carecer de louvor, tu emudeces? 

Não desculpeis o silêncio, pois está em ti 

Fazer que sobreviva ao túmulo doirado 

E receba louvores nos anos vindouros. 

Faz o teu oficio, musa, que hei-de ensinar-te .

A mostrá-lo à distância como ele é agora. 


Shakespeare


quinta-feira, fevereiro 28

surpreendente...

Gregory David Roberts, toxicodependente, foi condenado a dezanove anos de prisão por roubo.
Em Julho de 1980, foge da prisão e nos próximos dez anos é o homem mais procurado da Austrália.
O livro, autobiográfico, começa com a sua chegada a Bombaim onde trabalha como traficante de armas, de droga, é falsificador, contrabandista, e membro de uma das Mafias locais.
Foi torturado espancado e sofreu os horrores das prisões Indianas.
A descrição do caos de Bombaim é absolutamente maravilhosa, só falta o cheiro para que possamos dizer que já a conhecemos.
Metade da população vive e dorme na rua. E mesmo a dormir na rua, é preciso fazer turnos para que possam dormir deitados.
Com as cheias, os ratos são tantos, que a correr pelas ruas, devoram as pessoas se estas se mexem.
As personagens são ricas, como Prabaker o seu guia e amigo que tem morte trágica, o chefe da Mafia e filosofo Abdel Khader Knan, e Karla a mulher por quem se apaixona.
Em Bombaim há zonas de leprosos, que traficam os medicamentos que lhes dão para se tratarem. Há os Babas...

“Os Babas de pé eram homens que haviam feito votos de nunca mais na vida se sentarem ou deitarem. Comiam as refeições de pé, faziam a higiene de pé, rezavam, trabalhavam e cantavam de pé....
Durante os primeiros cinco a dez anos daquele estar de pé constante, as pernas começavam a inchar. O sangue movia-se lentamente nas veias exaustas e os músculos engrossavam. As pernas ficavam enormes, inchadas para além do reconhecível e cobertas de furúnculos varicosos roxos. Os dedos transformavam-se em excrescências dos pés carnudos, como os dedos das patas dos elefantes....
A dor era interminável e terrível. Ferrões e lanças de agonia perfuravam-lhes os pés a cada contacto com o chão.”

E há uma diversidade de quadros de vida em Bombaim cidade ao mesmo tempo terrível e fascinante, em cujas ruas apinhadas, caóticas e sujas se escondem aspectos essenciais da vida.
O seu código de honra e amizades levou-o às montanhas do Afeganistão, onde combateu ao lado de mujahedines contra as tropas soviéticas, onde foi ferido e quase morreu.
Sobre este livro escreveu-se:

"Uma obra-prima de intimidade, reflexão e entretenimento,
com toda a força e ritmo de um bom thriller."
Daily Telegraph
"Uma saga admirável e gigantesca."
London Daily Mail
"Um herói brutal, apaixonado e romântico."
London Telegraph

Tenho algumas reservas quando me chegam livros muito grandes, como é o caso, perto de 900 paginas.
Porque me esqueço dos personagens, dos seus nomes, e da importância que têm na narrativa.
Lembro-me que quando li os Cem Anos de Solidão, anotava num bloco os nomes para assim poder saber que Úrsula era a mulher de José Arcádio e que a bela Remédios Buendía era a sua filha.

Com este livro apesar do volume, tive pena de chegar ao fim

Livro muito bom que recomendo sem reservas.

Shantaram

Gregory D. Roberts
Quidnovi 22,46€

quinta-feira, fevereiro 21

ainda morro...


do coração.
O Benfica precisava de marcar para passar a eliminatória com tranquilidade mas Camacho resolve jogar com defesas no meio campo.
A dois minutos do fim o Benfica tem a eliminatória perdida e Camacho fez o que sempre faz. Tira dois jogadores que nunca deviam de ter entrado e põe os que deviam estar de inicio.
O resultado é que os que entraram marcam os golos da nossa alegria e disfarçam a péssima exibição (mais uma) da equipa.
Se o Benfica não se vê livre do Camacho vamos ver mais Benfica assim.
Ah o adversário de hoje é o antepenúltimo classificado do Campeonato Alemão.
Nuremberga 2 Benfica 2

na quadratura


No programa de ontem da Quadratura do Circulo assisti a uma conversa curiosa a propósito da passagem do edifício do casino de Lisboa para a propriedade plena da Soc. Estoril Sol, findo o contrato de concessão.

Diz Jorge Coelho que o que se está a assistir é ao descartar das responsabilidades dentro do PSD com Santana a acusar Barroso, e o contrario.
Da questão essencial nada tem a dizer, é amigo de Mário Assis Ferreira, Presidente do Casino e entende que ele não faria nada de ilegal. Nem percebe, que se o Casino comprou e edifício porque razão não teria no fim da concessão direito ao mesmo. É Coelho no seu melhor, fala como se toda a gente fosse estúpida e o que é pior é que ele não tem consciência disso. Ele está convencido do que está a dizer. Sobre a alteração da Lei e do conteúdo da carta que Mário Assis Ferreira escreveu ao Ministro nem uma palavra.
Nem percebe que a exploração de um Casino em Lisboa foi atribuído à Soc. Estoril Sol sem nenhuma espécie de concurso.
Coelho é ao longo de todos estes anos o dirigente socialista mais básico que se conhece, não diz uma coisa inovadora, todas as suas ideias são lugares comuns, discursa sobre o obvio como se estivesse a defender uma tese e no programa terminou a dizer cinicamente que sobre a relevância criminal da forma como foi feita a alteração da lei, não se pronuncia porque isso é da competência das policias e do MP.
Isto é, sobre este problema Coelho diz nada.
Já Lobo Xavier diz que é preciso saber toda a verdade sobre o caso (claro) mas põe as mãos no fogo pela honestidade do seu correligionário Telmo Correia mesmo depois de saber do teor da carta que Mário Assis Ferreira lhe dirigiu.
O que quer dizer que não se passou nada. Para um Assis Ferreira é incapaz de cometer qualquer ilegalidade, para outro Telmo Correia é um homem sério.
No essencial estão sempre de acordo.
Pacheco Pereira, que não é amigo nem de Telmo Correia nem de Assis Ferreira, ali parecia da extrema esquerda.

cão


Cão passageiro, cão estrito
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão ali, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal de poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção,
cão pré fabricado,
cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!
Alexandre O'Neill,

quarta-feira, fevereiro 20

já vi coisa parecida

O Banco Português de Negócios (BPN) confirmou que José Oliveira e Costa vai abandonar todos os cargos que detém no banco, alegando motivos de saúde, tendo sido a sua decisão aceite pelo Conselho Superior da instituição. O Conselho Superior deliberou também "manter a total confiança nos restantes membros dos órgãos sociais que garantem o funcionamento executivo das empresas do Grupo”
Lembrando os factos.
O Banco de Portugal investiga eventuais irregularidades no BPN.
Oliveira e Costa vem para os jornais e para as televisões, de excelente saúde, dizer que não há irregularidades e que está a disposição do B.P.
Um mês depois renuncia por agravamento do seu “estado de saúde.”
Do inquérito do BP nada se sabe, e quer-me parecer que jamais se saberá.
Só falta saber o valor da reforma.

sexta-feira, fevereiro 15

esquecer o passado preparar o futuro

José Miguel Júdice em crónica hoje publicada no Público começa assim:

Quero começar por fazer um aviso aos comentadores encartados, e em regra insultuosos, que surgem nos jornais on-line e nos vários fora radiofónicos diários. Este artigo é politicamente incorrecto e pode por eles até ser usado para demonstrar que aquilo que vou estigmatizar tem no meu texto a prova cabal de que devem continuar a agir como até aqui.”
Começa como se vê, à defesa, e continua.
“Este artigo, apesar de politicamente incorrecto, procura ser pedagógico.”
Que artigo é então este que Júdice diz ser politicamente incorrecto:
É um artigo em que o cronista apela a todos os políticos que se abstenham de exigir transparência mesmo que tenham dúvidas da legalidade dos actos.
E fala dos processos urbanísticos de cuja legalidade os vereadores da Camara de Lisboa desconfiam e que pediram que fosse investigada a sua legalidade, tais como: o Corte Inglês o Convento dos Inglesinhos o Saldanha Residence entre outros.
Esperava-se que Júdice incentivasse os vereadores a recorrerem a Tribunal para que depois de investigados pudessem todos os vereadores sair à rua de cabeça erguida, e os cidadãos descansados.
Mas não, convida ao silencio.
Se as decisões de titulares de cargos públicos violaram a Lei, e se com isso enriqueceram. Se com as suas decisões a Câmara foi espoliada, e os cidadãos prejudicados, nada disso tem importância. Esqueçam, não peçam para que sejam investigados, convidem-nos para Jantar.
O titulo da crónica é sugestivo. Políticos ou garotos. Sendo políticos quem esquece e garotos quem denuncia.
Júdice é assim adepto que se as pessoas têm dúvidas, não devem pedir que se investigue devem nas suas palavras:
"Daqui faço um apelo:tenham juízo, tenham maturidade,tenham cautela,tenham modos, tenham lucidez. Deixem de brincar ao boxe no meio de chuva. Não chavasquem nos lamaçais que criam."
Gosto especialmente do "tenham cautela"
E preocupado diz: Lisboa vai ficar paralisada enquanto se tenta descobrir irregularidades por todo o lado.
Júdice que é mais conhecido pelos amigos que tem, do que pelos seus méritos profissionais está assim preocupado com o que lhes pode acontecer.
É de amigo

inacreditável




Na Royal Academy of Arts vai estar em exposição durante o mês de Março obras de Lucas Cranach (1472–1553). Que foi um dos mais notáveis artistas da Renascença e um acérrimo defensor da Reforma.
Entre as suas obras mais conhecidas está Vénus, nua, pintada há 500 anos. A novidade é que o Tube de Londres proibiu a plubicidade da exposição nos seus corredores porque no cartaz estava a Vénus tal como vos mostro, sob o pretexto que pode ofender os passageiros.
Acreditam nisto?
Foi em Fevereiro de 2008

quarta-feira, fevereiro 13

os justos


Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.

O que agradece que na terra haja música.

O que descobre com prazer uma etimologia.

Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.

O ceramista que premedita uma cor e uma forma.

O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade,

Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.

O que acarinha um animal adormecido.

O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.

O que agradece que na terra haja Stevenson.

O que prefere que os outros tenham razão.

Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.


Jorge Luís Borges

segunda-feira, fevereiro 11

o que falta



Como foi largamente noticiado pela imprensa o deputado do CDS-PP Telmo Correia assinou cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o novo executivo, liderado por José Sócrates, foi empossado no Palácio da Ajuda. Apesar de estar em gestão corrente, o ex-ministro do Governo de Santana Lopes fez uma verdadeira maratona após ter passado mais de uma dezena de dias sem ir ao Ministério do Turismo.

Entre os documentos assinados, estava a segunda versão do parecer da Inspecção-Geral de Jogos que implicava a não devolução ao Estado do edifício do Casino de Lisboa, no Parque Expo, no final da concessão à Estoril Sol.

O que seria agora importante era que a imprensa fosse investigar que outros 299 despachos foram assinados nessa noite.

Mas isso seria pedir muito.

quarta-feira, fevereiro 6

é pena...




quando em futebol, Portugal tem que jogar contra equipas de primeira grandeza do futebol internacional, como acontece hoje com a Itália, põe a nu as fragilidades da equipa, tecnicamente muito pobre, sem jogo colectivo e que vive de rasgos individuais.
Também não deixa de ser curioso que os comentadores e jornalistas insistem que Cristiano Ronaldo joga sempre pior na selecção  que no Manchester, onde faz exibições extraordinárias. Nem lhes passa pela cabeça que a diferença está nos treinadores de uma e de outra equipa.

domingo, fevereiro 3

a floresta


de Aleksandr Ostróvski está em cena na Cornucópia até 17 de Fevereiro.

Trata-se de uma sátira aos costumes na melhor tradição do Teatro Russo.

A proprietária, Raissa Pálovna - numa soberba interpretação de Márcia Breia - viúva muito rica e que se faz passar por virtuosa, sem o ser, dirige com mão de ferro a sua herdade e quem nela vive, os seus criados e protegidos, não os deixando ser felizes.

Na sua casa todos a veneram e todos a temem com medo de perder o pouco que lhes dá.

São dois actores ambulantes pobres – um dos quais um sobrinho há muito ausente - que um dia chegam à herdade de Gurmíjskaia, e destroem o equilibrio que a viúva criara à sua volta.

É possivel ou não ser feliz sem dinheiro? é possível ou não os escravos serem livres?

A comédia tem arquétipos de todo o tipo, não falta a avarenta, o pato bravo, a velha criada submissa, e o amante.

De Aleksandr Ostróvski grande dramaturgo está para o Teatro Russo como Moliére para o Francês e Shakespeare para o Inglês. Para se saber quem era, basta ler como via o seu trabalho.

“O dramaturgo não deve inventar o que aconteceu, tem de escrever como se isso acontecesse ou pudesse acontecer; é nisso que consiste o seu trabalho; se concentrar a sua atenção neste aspecto, vão aparecer na sua peça pessoas vivas, vão falar”

É talvez por isso que a peça apesar das três horas de duração consegue manter sempre dialogos vivos de encontros e desencontros.

Bom trabalho da Cornucópia com encenação Luis Miguel Cintra e cenografia de Cristina Reis e obrigatório para quem gosta de bom Teatro.